sábado, 2 de julho de 2016

Era para ser só uma compra




Caio entrou numa loja de artigos esportivos. Era um estabelecimento bastante simples. O jovem não tinha muito dinheiro na carteira, por isso optou entrar ali.
Por ser um local para clientes de baixo custo, bem que ali poderia ter um grande aglomerado de pessoas. Mas eram duas horas da tarde de uma véspera de feriado e, ainda por cima, numa sexta-feira. Deve ser por esse motivo que Caio não encontro ninguém no estabelecimento, a não ser Verinha, a atendente, recepcionista, balconista, caixa, vendedora e única pessoa na loja naquele momento. Não era uma moça do tipo que os homens experientes com mulheres chamam de formosura. Magra, loira, baixa, Verinha parecia mais com uma garota recém saída da infância. Mas somente na aparência, porque na realidade ela já passava dos 18 anos. Uma adulta com aparência de menina.
Pensando mesmo que fosse uma iniciante da puberdade, o jovem Caio não achou que deveria se interessar por ela, principalmente que nem linda ou gostosa era. É importante dizer que o rapaz é um pouco esnobe, interesseiro e exibido. Não é muito popular entre seus colegas de escola, quer dizer, entre aqueles que são mulherengos. Caio se interessa por moças mais chamativas, do tipo exibidas, para mostrar a todos que tem borogodó. O problema é que esse tipo de garota não dá a mínima atenção para Caio, porque este não tem borogodó.
Bem, mas é mais interessante narrar o que ocorreu dentro do estabelecimento. Como disse antes, há algumas palavras atrás, Verinha não atraía muitos olhares masculinos. Para ser sincero a garota não era assim tão feia, na minha opinião. Até que tinha um corpinho saliente. Eu ficaria com ela, e olhe que sou um pouco "exigente". Usando shorts curtos poderia-se dar algumas olhadas. O problema é que ninguém a olhava. Verinha era a versão feminina de Caio. Porém, ao contrário deste, tinha ousadia. Se notasse alguma chance de ficar com algum garoto, não perdia tempo, dava logo em cima do mesmo. Pois foi exatamente isso que aconteceu no caixa, quando o jovem cliente, depois de escolher seus produtos para utilizar na academia, foi paga-los. De início o moço não notou muito aquelas indiretas que pareciam ser mais "diretas". Ou será que estava fingindo que não via? Se fosse isso, bem que o rapaz poderia concorrer ao Óscar, pois pareceu não notar aquele olhar atrativo e chamativo que a moça dava a ele. "Será que ele é gay?", pensou a garota. Esta desejou que aquilo fosse somente coisa da sua cabeça, pois não aguentaria mais se decepcionar com rapazes com gostos que não tinham nada a ver com as ideias elaboradas a partir de suas aparências. Deve ser por isso que perguntou:
- Você por acaso é gay?- disse a balconista. O rapaz, espantado e ao mesmo tempo sem jeito, respondeu:
- Não, porquê? Eu pareço uma bicha?
- Não, não é isso. Você não parece nenhum pouco com uma bicha. Perguntei porque, desde quando você entrou, é que eu fico te olhando, sem receber atenção alguma.
- Ah, tá... entendi. Não olhei porque pensava que você namorava.- disse o jovem.
- Eu não namoro, gatinho. Acho que você não deu atenção porque não sou tão bonita como aquelas assanhadinhas, não é? Deve preferir as mais popozudas.
- Não é exatamente isso, não literalmente. É porque a maioria dos garotos e garotas me acha um idiota. Estava afim de mostrar a eles que eu era pegador, sabe?
- Hum..., sei. Eu posso te ajudar com isso.
- Como assim?
- Bem, eu sou uma garota, não sei se percebeu. Assim como você, não sou muito popular. Queria estar no lugar daqueles caras, sabe? Têm tantos privilégios... A gente poderia formar um par e se exibir por aí, que tal?
- Mas você não chama muita atenção. Você mesma não disse que não era popular coisa alguma?
- Rapazinho, presta atenção. Esses manés não estão nem aí se uma mulher é bonita ou feia, ou se é ou não popular. O que conta para eles é a safadeza, a ousadia, o divertimento, a autoestima, entre outras coisas. Se eu for safada como aquelas outras, serei mais popular do que eu sou no momento. Se você pegar uma safada, irá acontecer a mesma coisa contigo. Entendeu?
- Então a sua ideia é se fingir de safada para se aparecer, certo? E eu te pegar?
- Não exatamente. Não vou fingir que sou safada, porque isto já sou a muito tempo.
- Mas sempre pensei que você fosse santinha...
- As aparências enganam, rapazinho... Você não me conhece. Se me conhecesse de verdade... Hum, não vou falar mais nada. Topa ou não?
- Mas você não tem vergonha de aparecer?
- Menino, se eu tivesse um macho pra se meter comigo, eu só andava causando por aí. Vivia de sacanagem na rua, na praça... Eu quero é beijar na boca e fazer "aquilo". Vai querer ou não? Olha que eu te acho um partidão. Poderíamos fazer "muitas coisas" juntos...
- Quero sim. Que tal a gente sair hoje a noite?
- Pode ser, mas eu gosto de farra. Me leva para um lugar divertido pra se soltar.
- Ok. Mais tarde a gente se encontra. Tchau, então.
Caio já ia se retirando quando quando Verinha gritou:
- ESPERE! Não está se esquecendo de nada não?
- Se esquecendo do quê?
- Do meu beijo.
- Ah, sim...
E Caio cumpriu o pedido da jovem, uma espécie de pré-aquecimento do que iria acontecer mais tarde, numa noite que prometia ser inesquecível.

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