quarta-feira, 1 de junho de 2016

Um breve resumo




Uma jovem de 16 anos sai de sua casa, por livre e espontânea vontade, para frequentar uma festa no estilo funk. A sua intenção era se divertir: conversar com as amigas, beber um pouco, trocar ideias e fofocas, dançar e ficar com alguém, caso estivesse desacompanhada. Ela estava acompanhada. Estava ficando com alguém. A jovem, cujo nome ninguém sabe até agora, não mantinha um relacionamento sério com o rapaz. Ele nada mais era do que um ficante, alguém para ficar de vez em quando, para satisfazer seus desejos, suas necessidades de carinho, afeto e atenção.
A proposta era exatamente essa. Pelo menos era a proposta dela. A proposta dele, pelo que notei, com toda a repercussão do caso, discordava da dela. Convidou-a para fazer uma visitinha em sua casa, pois, imagino, queria passar uns momentos íntimos com a moça. Não sei se pela primeira vez, ou segunda, ou terceira... não sei, sei apenas que a jovem aceitou ir a casa do seu companheiro temporário. Ficaram juntos. Ele lhe ofereceu uma bebida, provavelmente contendo algum tipo de substancia dopante, e a garota ingeriu, talvez imaginando que era somente mais uma bebida que a deixaria relaxada. E foi o que aconteceu: a moça entrou num estado de relaxamento que, caso soubesse o que aconteceria a seguir, jamais a teria ingerido. Estava dopada, passou minutos e horas sem saber o que acontecia ao seu redor, enquanto permanecia em estado inconsciente. Quando acordou, totalmente assustada, chocada e indignada, era objeto de olhares de vários homens armados com pistolas e fuzis. Esses bandidos a despacharam para casa, como se fosse uma prostituta que acabou de realizar seu serviço e tinha que ir embora. Ela foi. No dia seguinte, provavelmente por conta do choque, não foi à delegacia e nem contou aos familiares o caso. Dias depois do ocorrido, ficou sabendo que um vídeo seu estava cada vez mais sendo compartilhado na internet: vídeo este gravado por um dos estupradores. Não sei porque razão, mas, a garota volta ao morro onde estava localizada a casa onde sofreu violência para conversar com o chefe do tráfico, reclamando do celular que haviam roubado, pelo que ouvir falar. Depois volta para casa. Porquê ela ainda não foi à delegacia, denunciar o crime? Provavelmente a vergonha lhe dominava. Ficou apavorada, imaginando sua família sabendo e se entristecendo com a violência. Uma coisa impossível de impedir, na minha opinião. Com a facilidade de acesso à informação no mundo de hoje, numa hora seus parentes estariam informado sobre o caso, provavelmente não pela boca da jovem. E foi o que aconteceu. A família ficou sabendo do vídeo por um vizinho. Perguntada pela família e se sentindo pressionada, a moça simplesmente relatou o estupro. No dia seguinte, com apoio da família, realizou a denuncia e, rapidamente, o caso ganha as manchetes no Brasil e no mundo. Este é um breve resumo do triste caso do estupro coletivo no Rio.

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