sexta-feira, 3 de junho de 2016

Me autodescobri




Me lembro muito bem da primeira vez que me masturbei. Estava na casa da minha vó, onde morava, deitado na única cama do seu quarto. Se não me engano, passava das seis horas ou sete horas da noite, acho. Segurava uma revista masculina. Naquele tempo, celular com internet e que dava para ver vídeos e imagens não existia, pelo menos na minha cidade, que não vou dizer qual é. Computador? Existia, sim, mas era muito caro naquele tempo e eu era de uma família muito pobre. Lembro-me também que a revista não era minha, mas de um amigo meu que, por bondade, acho, me emprestou. Aliás, não era uma revista. Pensando agora, chego a conclusão de que eram apenas a capa de uma revista, ou algumas folhas... não sei ao certo.

Estava sentado sobre a velha cama de minha vó. A luz, sobre a parede baixa que separava o quarto da sala, era de cor amarela e iluminava os dois compartimentos. Olhei a imagem de uma belíssima e atraente mulher morena. Era muito sensual. Foi a primeira mulher que me deixou animado. Estava de pernas arreganhadas e totalmente nua. Foi a primeira vez que vi uma mulher nua. Comecei a me tocar. Peguei no meu pênis e iniciei as carícias nele. O resultado rapidamente apareceu. Meu pênis estava duro de um modo que cheguei a me espantar, pois aquilo nunca havia acontecido. Não sabia o que fazer. Não sabia o que era masturbação na época. Era muito inocente naquele tempo. Provavelmente foi por extinto que fiz aqueles movimentos conhecidíssimos pelos homens e mulheres. Foi uma espécie de autodescobrir, como muitos especialistas denominam. Gostei daqueles movimentos. Achava divertido levantar e descer aquela pele. Senti um pouco de incômodo quando iniciei os movimentos, mas, que tal um cuspe?, foi o que pensei. Foi uma ótima ideia. No momento tive a certeza de que eu mesmo havia inventado aquela técnica do cuspe: o ato de colocar um pouco de cuspe sobre a cabeça do pênis. Me achei um gênio, um verdadeiro profissional. Continuei os movimentos. No início eram lentos. A medida que fui me excitando, os ritmos e a velocidade foi aumentando, até que, por fim, chegou à explosão, uma explosão maravilhosa, a explosão do orgasmo. A primeira explosão da minha vida. O líquido que ejaculei era de uma consistência que raramente consigo liberar hoje em dia. Era muito grosso e tão branco, mas tão branco que, achava, poderia ver no escuro. Não me senti atraído para prova-lo, mas tive uma curiosidade extrema e infantil de sentir o cheiro, o meu cheiro. E como adorei aquele cheiro! Um cheiro só meu! Ou será que não? Não faço a mínima ideia se um homem tem uma cheiro característico no seu esperma. Ainda não fiz a pesquisa. Se um dia fizer, será na internet, pois a minha heterossexualidade, descoberta no momento em que me excitei pela mulher da revista, não permitirá que eu realize teste técnico com meus colegas, amigos, parentes e outros homens conhecidos e desconhecidos.

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