quarta-feira, 8 de junho de 2016

Literalmente objetiva



Você já ficou com algum primo? Pois eu ainda não. Ainda não.

Tenho vários primos e primas. Gosto de todos eles e todos eles gostam de mim. Alguns são mais velhos do que eu e outros são mais jovens. Não tenho nenhum que tenha a mesma idade que eu, 21 anos. Se você me perguntasse de qual eu gosto mais, não acharia complicado responder, pois a resposta estaria na ponta da minha língua, toda vez que alguém me indagasse: o Guilherme, meu primo de segundo grau. Acho ele tudo de bom, além de ser um gato e uma delícia, para variar. Se você vê-lo sem camisa, tenho a nítida certeza que não irá discordar da minha afirmação, caso você seja uma mulher ou gay.
Se crescemos juntos? Não, não. Para falar a verdade nos conhecemos recentemente. Há anos que nossos pais não se falam, não por implicância, mas ocupações de ambos os lados, além da distância, é claro. A família de Gui, como eu o chamo- por que ele é a cara do Gui Weasley, da série Harry Potter, além de também ser ruivo-, não foi construída aqui na minha terra natal, mas em outra localização. Passaram anos e, recentemente, se mudou(a família toda!) para o bairro onde moro e, por mais uma pura coincidência, e também para aumentar a minha sorte, bem próximo onde eu moro.
Uma semana depois da chegada da família de Gui houve a esperada visita a nossa casa. Uma pequena festa, para falar a verdade, na qual conversas e músicas se manifestavam ao mesmo tempo. Foi nesse encontro familiar que conheci o Gui. Me interessei por ele imediatamente. Tenho a impressão que por causa daquela série. Gostei de tudo nele: do modo como estava vestido, do seu comportamento, do jeito que falava... enfim, queria conhecê-lo imediatamente. Queria também que aquele gato se sentisse atraído por mim, tanto quanto eu estava atraída por ele. Por isso fiquei o máximo possível perto daquele grupo de adultos que falavam de assuntos que não tinham nada a ver comigo e, pelo que notei observando as atitudes do rapaz, nem com este. Olhei-o várias vezes, querendo manter um contato visual, mas o ceguinho não enxergava... até que, por fim, me viu. Deve ter me achado uma gata, porque não tirava os olhos de mim, o que me deixou bastante feliz. Além de confirmar aquilo que eu suspeitava: que ele era homem mesmo. Provavelmente era solteiro. Se tivesse namorada, com certeza ficou por lá, na antiga cidade. Um homem comprometido não olha desse modo para uma mulher que não seja sua companheira, só se esta não tiver dando conta do homem na cama. Se fosse esse o problema, o que acho difícil, acharia muito fácil deixar aquele homem saciado. Chuparia ele todo, de um jeito que somente a melhor atriz do cinema pornográfico faria.
A festa acabou e todo mundo foi embora. Ficamos nos olhando por mais alguns segundos, nos encarando, antes de ele se levantar e acompanhar seus pais e irmãos (dois) para a saída de casa.  Foi nesse dia que o conheci. Foi a partir do mesmo que comecei a pensar em coisas mais profundas sobre relacionamento, como sexo, por exemplo. Descobri naquele momento que estava apaixonada e sentir uma coisa tão incômoda dentro de mim, quando o jovem saiu, que me deu aquela tão grande e imperial vontade de gritar para ele voltar quando havia atravessado o portão de frente para a rua de minha casa. Eu queria ficar com ele, e não pensava em mais nada, para variar. Eu iria, sim, ficar com aquele gato, e esta meta não saia da minha cabeça. Faria de tudo para cumpri-la, pois sou assim: literalmente objetiva.

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