segunda-feira, 13 de junho de 2016

A teoria das drogas




Vou narrar, de forma simples e sucinta, um acontecimento que me ocorreu ontem à tarde, quando ainda estava na faculdade. Incomodada de ficar mais de duas aulas seguidas assistindo a professora falar um monte de coisa chata, inventei de ir ao banheiro, com a desculpa de estar com aquela vontade. Uma mentira bobinha, mas eficiente, para fugir daquela aula sem graça. É claro que não era obrigada falar à docente o motivo de minha saída, pois estava na faculdade e na faculdade não se precisa muito de permissão: você sai da sala e pronto. Mas a mentirinha do banheiro seria eficaz, caso alguém perguntasse alguma coisa.

Cheguei ao banheiro- pois fui mesmo ao banheiro, afinal, este sempre será, na minha opinião, o melhor lugar para se isolar e fugir de uma aula-, entrei numa das cabines e me sentei. Não me despi porque não estava tendo vontade alguma de fazer cocô ou xixi. Futriquei o celular e abri o navegador de Internet. Passados uns dez minutos, nos quais dediquei a fuxicar a vida alheia nas redes sociais, alguém entrou no banheiro. Não sabia quem era, mas tinha certeza que era uma mulher, pois era um banheiro feminino (dããã...!). A pessoa parecia bastante apressada, pois foi apressada que adentrou à cabine ao lado da minha. Em seguida escutei os conhecidos sons de roupa sendo despida do corpo, como o barulho do zíper se abrindo, por exemplo. Notei também o soar de algo sendo rasgado. O que seria isso? Parecia mais uma embalagem de plástico, pensei. Provavelmente, a estudante (pois achava que era mesmo uma estudante que estava ali, porque existia banheiros para estudantes, para funcionários e professores.) havia comprado algum produto e estava abrindo escondida ali dentro. Fiquei curiosa do que seria aquilo. Devia ser muito especial para que a moça venha se deslocar até o banheiro para vê-lo melhor. Algo proibido, quem sabe. Algo que chamasse a atenção das outras pessoas. Continuei ali, focada nas minhas vasculhadas na rede.
Que é isso? Que é que está acontecendo?, indaguei a mim mesma, quando ouvi uns gemidos ao lado. Será um choro? Parecia mesmo um choro. Mas porque essa jovem está chorando? Será que a moça está usando drogas? Mas é claro! Só pode ser isso! Ela está usando drogas! Deve ter comprado uma substância proibida, depois a seringa em uma farmácia, que vem embalada num saco plástico, e veio curti-la escondida aí dentro dessa cabine. Está na cara! O gemido pode ser de dor, das pontadas, o que mostra que a garota não está acostumada com as picadas da agulha, o que aumenta a ideia de que essa seja a primeira vez dela! Ela está se drogando! Mas que tipo de dor é essa que não acaba nunca? Me lembro que, quando fui tomar a minha primeira vacina, na infância, senti uma pequena e suave dor, e foi somente quando a agulha entro na minha pele. Depois não doeu mais nada. Me lembro também que essa dor não me causava gemidos, foi apenas um e nada mais que isso. É muito estranho essa garota está gemendo o tempo todo... Hum, tem caroço nesse angu, como diria a vovó. Naquele momento analisei melhor e cheguei à conclusão de que aqueles gemidos não pareciam muito de dor, quer dizer, era gemido de dor, sim. Todo gemido é de dor, não é? Ou tem alguém que discorda? Se tiver pode discordar, não vejo problema algum. Mas naquele gemido havia ao mesmo tempo uma mistura de dor e prazer. Parecia que ela estava gostando daquela dor. Cheguei à impressão de gostava mesmo, porque estava sozinha dentro de uma cabine e tinha comprado alguma coisa que lhe causava a dor. O objeto estava em seu poder, se quisesse diminuir a dor ou acabá-la, não precisava chamar ajuda, ela mesma poderia fazer isso. Então cheguei à conclusão de que a própria jovem provocava essa dorzinha, e sentia muito prazer com isso. Mas ainda queria saber o que a moça estaria fazendo.
Saí da cabine silenciosamente e caminhei até a frente da porta atrás da qual ficava a garota. Como toda cabine de banheiro, havia uma pequena abertura abaixo da porta, pela qual dava para ver os pés do ocupante, nesse caso a ocupante. Vi um par de pés vestidos por duas meias cor de rosa e calçados por duas sandálias que não consegui identificar a marca, mas achei-as lindíssimas. Uma calcinha preta com pequenas bolinhas cor branca estava meio que flutuando entre o chão e os joelhos da jovem. Era uma peça muito bonita também, tinha rendinhas cor de rosa, além de uma espécie de zíper de laços da mesma cor, que ficava localizado no centro superior da calcinha. Queria ver o sutiã que ela estaria vestindo, provavelmente combinando com a peça de baixo. Por fim... continuando o que estava narrando, a moça ainda estava aos gemidos na cabine. Era um tal de ai... ui... óh... ah... hum..., entre outros. Achei curioso o fato de que, enquanto gemia, seus pés se movimentavam com força no piso de azulejos. Às vezes a ponta de um pé apontava para a ponta do outro. Às vezes ambos ficavam girando para um lado e para outro, de forma organizada ou de forma desordenada. Depois notei que um pouco de líquido transparente caía no piso, e notei que este já estava coberto por uma pequena quantidade desse líquido. Pelas espumas, cheguei à conclusão de que aquilo era cuspe. Pelo fato de não ser uma garota inocente, rapidamente descartei a Teoria das drogas. Pelos gemidos e pelo cuspe... hum..., não havia como se enganar: essa garota está é se masturbando! Ora se não! Quer apostar quanto!? Apostaria um milhão de reais na minha afirmativa, caso tivesse no mínimo dois milhões de reais. Não sou burra de apostar tudo o que tenho, apenas a metade. A gente nunca deve apostar tudo, é o que meu pai sempre diz. Se você tem dez reais na carteira e quiser apostar, gaste somente cinco e guarde o restante, você pode precisar. É assim que eu faço.
Bem, ela estava mesmo praticando uma siririca, como diria a nossa linguagem moderna. Ou tocando uma, como diriam os rapazes. Agora havia criado uma outra teoria, mas esta era muito mais eficiente: a moça havia comprado algum objeto numa loja de sexshop(ou uma amiga deve ter comprado a seu pedido e veio entregar na faculdade, o que explica o fato de ela usa-lo no banheiro da instituição) e decidiu testa-lo aqui no banheiro. Poderia ser um vibrador ou um pênis de borracha, quem sabe. Ou quem sabe uma novidade do ramo da indústria erótica! Isso explicaria o porquê da pressa em usa-lo! A jovem bem que poderia ter outros vibradores e pênis de borracha na sua cômoda e havia comprado uma coisa mais moderna! Queria saber o que era aquilo que lhe dava tantos prazeres. Infelizmente não pude realizar o meu desejo. Não podia simplesmente bater na porta e perguntar: "moça, sei que você está tocando uma siririca aí dentro, mas não sei que tipo de brinquedo você está usando, será que poderia me dizer!? estou tão curiosa...". Não, jamais faria uma coisa dessas. Como ela se sentiria dentro da cabine?! Qual seria sua reação?! Como eu me sentiria se alguém fizesse isso comigo?! Como eu reagiria!? Não, não, isso nunca. Jamais. O melhor que eu tinha de fazer era sair o mais rápido possível daquele banheiro e voltar à aula, antes que ela terminasse com sua diversão. E foi o que fiz. Me levantei calmamente e, nas pontas dos pés e de mansinho, muito mansinho, saí do banheiro e voltei para a sala de aula. Para meu azar, a professora tinha acabado de passar uma atividade para ser feita naquele momento, valendo ponto.

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