segunda-feira, 9 de maio de 2016

Mudança de planos





Já faz mais de um ano que estou em um relacionamento sério com o Gabriel, meu ex-colega de escola. Sempre mantivemos aquele namoro bacalhau, sabe? Do tipo de ser um namoro que muitos chamam de normal. Não sei o porquê disso, de o denominarem por normal, talvez por parecer um namoro bem normal, simples e sem muitas fantasias. Bem, continuando, já estava passando da hora de colocarmos alguma coisa ali, para variar. Queríamos deixar o nosso relacionamento mais diferente, que combinasse com a nossa faixa etária (eu tenho 19 e ele vinte anos), pois parecíamos mais um casal adulto. Tinha certeza de que meus pais, os pais dele e os bilhares de pais existentes no mundo inteiro se divertem muito mais do que a gente. Decidimos então conversar, realizar um debate e/ou uma discussão, para ver se saía alguma ideia. Falei tudo aquilo que não gostava, como no caso de a gente só transar de vez em quando, e o que poderíamos acrescentar- ele fez a mesma coisa.

Dois dias após aquela discussão, Gabriel veio a minha casa, para me namorar, e aproveitou para me dar um livro intitulado Cinquenta Tons de Cinza, um filme originado desta obra, e que tem o mesmo título, e uma seleção de filmes pornográficos. Pediu para que eu o lesse e os assistisse. Adorei os dois, não somente porque eram bem produzidos, mas porque me deram uma ideia. Talvez não uma ideia, porque, tenho certeza disso, o Gabriel já estava com ela na cabeça, pois, caso contrário, não me daria esses presentes, certo? Mas eu pensei, porque não colocar um pouco de agressividade na nossa transa? Achei tão legal a forma como aquele homem fodia aquela atriz pornográfica no filme... queria ser tratada assim. Me achava tão santinha ultimamente, parecia mais a personagem do livro. Decidi falar com o Gabriel.
- Assistiu e leu o que eu te dei?- ele me perguntou quando estávamos passeando pela praça do bairro.
- Assisti e li. Adorei tudo. Desconfio do que você pretende fazer, mas quero ouvir de sua boca, para ter certeza.
- É isso mesmo.
- Isso mesmo o quê?
- A minha ideia é essa que você tem na cabeça.
- O quê exatamente?- Perguntei, fingido que não tinha ideia alguma na cabeça.
- Quero dar um esquentada no nosso relacionamento.
- Era isso mesmo o que eu estava pensando e tinha certeza que era o que você pensava também.
- Então porque perguntou?
- Queria ter certeza.
- Mas você disse que tinha certeza...
- Gabriel, que tal a gente continuar no assunto em questão?!- Perguntei, irritada. Odiava quando ele se fazia de burro.
- Ok. A minha ideia é bastante simples: penso em te tratar como uma puta na cama, sabe? É mais ou menos isso. Quero dá uma de Cristian Grey. Quero trepar de verdade contigo, Quero foder com muita força, quero que você seja a minha submissa...
- Eu não vou ser a sua submissa. Quero ter autoridade também. Uma mão lava a outra, entende? Um vai ser o submisso do outro, que tal? Todo mundo sai ganhando.
- É, pode ser. Então, continuando... queria também que você fosse uma vagabunda, mas só na cama. E quando estivéssemos a sós. Tome, dê uma olhada. Estava pensando em comprar alguns brinquedinhos pra você usar. Preparei um lista, que inclui fantasias, doces, sorvete, chicote, vibrador, plugues, óleo pra massagem, vara...- Ele falou, ao me dá uma folha de caderno.
- Vara?- Indaguei, espantada, imaginando ele me batendo com uma vara.
- Só se você quiser. São vários tipos de vara, como você deve ter notado. Tem cipó, cabo de vassoura, galho de goiabeira, aquela ripa utilizada para estruturar o telhado de uma casa... entre outros. Lá no livro a menina apanha de vara.
- Ela não apanha de vara! Eu também não irei apanhar de vara! Muti menos de cipó, ripa, cabo de vassoura, galho...! Você não é doido de me bater com um cabo de vassoura! Tinha algumas no Quarto Vermelho, mas em nenhum momento vi ele a usando, muito menos no filme!- Disse tudo isso de um modo estressado. Provavelmente era porque vi em cores nítidas o Gabriel me batendo com um cabo de vassoura.
- Ah, sim... isso é verdade. Pelo jeito você entendeu mais do que eu o livro.
- A autora do livro é uma mulher, a narradora é uma mulher, a personagem principal da obra é uma mulher! Então a mulher tem uma maior facilidade de entender essa obra, porque já tem um conhecimento prévio sobre o pensamento feminino!
- Hum... entendi. Bem, continuando, que tal a lista?- Ele parecia nervoso. queria mudar de assunto. Eu, se estivesse no lugar dele, faria a mesma coisa.
- Interessante. Quem é que vai comprar?- eu simplesmente não iria gastar meu dinheiro com aquilo. Ele é que deveria comprar, certo? A ideia foi dele...
- Eu. Vai ser um presente que darei a você...
- E que não será somente meu, o presente, não é? Acho que você irá se aproveitar dele também, não é?
- É, mas não literalmente. Esse negócio de usar vibradores não é a minha praia.- Ele falou, me causando um colapso de risos.

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