quarta-feira, 11 de maio de 2016

Foi num dia de chuva




Estávamos terminando o passeio pelo campo. O sol estava quentíssimo. Fazia mais ou menos uns 30 a 35 graus. Era de matar. Chegamos no terraço da casa dele. Ele não mora sozinho, mas os pais dele me adoram, mais do que o necessário, então me senti a vontade e confortável ali. Me pediu para sentar no banco, aquele de madeira e todo velhinho, que faria o favor de trazer um copo de água, de suco ou o que estivesse na geladeira. Fiquei com medo de o móvel quebrar enquanto eu estivesse sentada sobre ele, mas mesmo assim o fiz. Tomara que ele não demore muito, pensei.

Rafael voltou, com uma bandeja repleta de comida. Notei dois pedaços de bolo, provavelmente de chocolate, por causa da cor marrom-escuro, dois copos de vidro contendo um líquido amarelo (laranja, manga, murici, cajá, cajú ou maracujá?, refleti), duas taças vermelhas e algumas frutas: maçã, uva, banana e morangos. Quando começamos a  comer, notei que o suco era de maracujá, uma delícia, e o conteúdo das duas taças era doce de cajú, uma maravilha. Terminamos o lanche minutos depois de a chuva ter se iniciado e ficamos ali, no terraço, observando aquela paisagem rural, sendo molhada pela chuva. Não sabia mais o que fazer naquele momento. Estávamos na casa dele, se fosse na minha provavelmente faria alguma coisa para passar o tempo da chuva. Ele só ficou ali, observando a chuva.
- O que acha dela?- perguntou Rafael, cortando o silêncio e olhando para a água que caia.
- Inesperada.
- Quer tomar banho de chuva?
- Eu nunca tomei banho de chuva.
- Sério!? Pois devia tomar, é uma delícia.
- Isso dá resfriado.
- Só para os desacostumados.
- Eu sou uma desacostumada, Rafael.
- Você não vai morrer se pegar um pouquinho de resfriado, muito menos se pegar um montão de resfriado.
- Hum.
- Vamos?
- Hum.
- Vamos, menina, deixa de ser fresca! Você não é feita de açúcar, ou será que é?
- Palhaço...
- Vai ou não vai?
- Está bem, está bem.
Saímos correndo pela chuva. Fui correndo porque ele saiu me puxando pelo braço, a ponto de me derrubar no chão enlameado. A princípio não gostei da sensação, a água estava muito gelada. Tinha certeza de que pegaria um resfriado, e não seria daqueles bem fraquinhos.
- Está com frio?- Rafael me perguntou, ao me ver cruzando os braços.
- O que é que você acha? Seja inteligente alguma vez na vida, seu idiota!
- Ha ha ha!
- Idiota!
- Você já assistiu aquele filme do homem aranha?- ele indagou, enquanto se aproximava de mim.
- Já, e você sabe disso. Foi você que me emprestou ele, se esqueceu?
- Ah, sim, me lembro. Gostou?
- Legal.
- Se lembra daquela cena do beijo na chuva?
- A parte mais romântica do filme? Com certeza!
- O que achou dela??!!?!- perguntou gritando, pois a chuva estava cada vez mais forte.
- Você não ouviu o que eu disse!!!??? Acabei de falar que era a cena mais romântica do filme, seu bobo!! Está ficando cada vez mais forte!! É melhor voltarmos!!
- Não antes de fazer essa cena, mas virando aquela posição dele do avesso!!
- Do que é que você está...
Ele me agarrou, em seguida me beijou, de um modo totalmente inesperado para mim. Eu sabia que o atraía, mas não tanto. Parecia que me amava. Será que ele me ama?, pensei.
- Anda, vamos para casa. Está ficando mais forte!
- Porque você fez isso!?
- Lá dentro eu te explico, anda!! Ou você quer que um raio atinja a sua cabeça!?
- Está bem, está bem!!
E voltamos correndo para o terraço, do mesmo modo que saímos dele, a diferença era que, agora, ele segurava a minha mão.

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