sexta-feira, 6 de maio de 2016

Ele está mudando




Meu namorado está ficando, a cada dia em que nos encontramos, mais atrevido. No começo do nosso relacionamento o lindo era muito tímido. Tímido no sentido de que eu é que sempre dava a iniciativa. Morria de vergonha de chegar em mim e me abraçar, por exemplo. A mania dele era pedir autorização.

Toda coisa que ele queria fazer comigo tinha que ser precedida da permissão. "Amanda, posso te dar um beijo? Só um selinho, Amanda, posso lhe dar um abraço, daqueles bem apertados?". Chegava um momento em que, confesso, ficava estressada com essas atitudes. "Pô, cara, você é meu namorado. Se estou com você é porque eu gosto muito. Você tem toda a liberdade para fazer o que quiser comigo: passar a mão em mim, me beijar, me abraçar. Só não pode me bater e me fazer chorar, é claro, pois te boto na cadeia", era o que geralmente saia da minha boca. Mas tenho a impressão de que essas palavras desaparecerão do meu vocabulário em pouco tempo, porque ele está mudando, e mudando para melhor. Ontem mesmo, quando estávamos a sós na minha casa (meus pais tinha saído), ele nem pediu autorização para me agarrar. Para falar a verdade meu namorado nunca me agarrou. Dava alguns abraços, mas aquele abraço com pegada nunca foi não era o tipo dele. Confesso que, quando o fez, jurei que não era ele e que provavelmente alguém havia possuído aquele corpo. Chegou de um modo tão estranho. Pra começar nem me ligou perguntando se poderia ir na minha casa, mandou uma mensagem dizendo que estava chegando. "Coisa esquisita", pensei. Depois, quando chegou, caminhei até a porta para abri-la e, quando o fiz, fui abordada de um jeito que ainda agora, antes de escrever este texto, não saia de minha cabeça. Me beijava de um jeito que quem via jurava que o beijoqueiro estava há décadas na seca. Fiquei espantada, é óbvio, mas gostei daquela atitude. O tarado passava a mão na minha bunda, cheirava meu cangote, mordia-o... hum, que delícia, pensava. Era muito excitante. Não perdeu tempo e me empurrou para o sofá. Tivemos a nossa primeira pegação de verdade. Aqueles amassos com muita saliência, sabe? Parecia que tínhamos trocado de comportamento, pois o bofe parecia mais comigo e eu com ele. Era o gato que estava na ativa, me dominando e dizendo o que queria que eu fizesse. Obedeci todas as suas ordens, tinha que aproveitar, pois não sabia por quanto tempo aquilo iria durar, quer dizer, estou falando desse comportamento. Foi a nossa melhor transa, até então fazíamos geralmente aquele sexo bacalhau, só para dar um gozadinha, sabe? Mas dessa vez ele me comeu de um jeito que... ah, não vou nem falar, pois não sei a sua idade. Vou ficar por aqui mesmo, para te deixar na curiosidade. Tchau!

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