sábado, 9 de abril de 2016

SEU NOME, CRIATURA!




- Luíza?- chamou a dona Sheila, de frente para a porta do quarto de sua filha, Luíza, havia acabado de chegar de uma viagem junto com o marido, que tinha ido à casa lotérica. Ninguém respondeu.
- Luíza?- disse ela mais uma vez. O que deu nela? Sempre teve o sono leve..., pensou a mulher.
Chamou pela terceira vez:
- Luíza?- Nada mais do que o silêncio. Vou ter que entrar, não tenho outra alternativa, disse a mãe para si mesma. Dona Sheila abre a porta e não precisou nem entrar para ver a cena: Luíza está deitada sobre a cama, ao lado de um garoto que, a mãe, nunca viu na vida. Depois de entrar no quarto e ficar olhando por alguns minutos, a mulher surta:
- LUUUUÍZA!- a mãe grita, fazendo com que o casalzinho acorde aterrorizado.
- MÃE!?!? O que a senhora está fazendo aqui? Não era para voltar só amanhã?- perguntou a filha, acordando assustada, parecendo não acreditar na cena que via, do mesmo jeito que a mãe. O garoto estava congelado e de boca aberta, o que é um perigo, pois havia um besouro sobrevoando pelo quarto.
- Aconteceu um imprevisto e tive que voltar antes do dia planejado. E esse daí, quem é?- indagou a mãe, se referindo ao rapaz que, até aquele momento, parecia uma estátua de cera.
- Esse é o...
- O o quê? ANDA, menina, responde!
- É o meu namorado.
- Seu namorado? E desde quando você tem namorado?
- Desde ontem.
- Como é o teu nome?!- perguntou a mãe para o jovem.
- Eu?
- Mas é claro! Eu já conheço a minha filha muito bem.
- Hum... não entendi o que a senhora quis dizer...
- SEU NOME, CRIATURA!
- R-r-rafael, meu nome é Rafael- respondeu o rapaz, pálido como um fantasma, de tanto medo. A sogra o encarava de um modo que, para a filha, parecia ser mal agouro. Depois de uns segundos, a dona de casa falou:
- Luíza, dá um jeito de tirar esse seu namoradinho daqui de casa, porque seu pai vai chegar daqui a alguns minutos, e eu não estou afim de salvar a vida de uma pessoa que não seja você.
- Está bem, mãe. Te levanta, Rafael, meu pai é capaz de te matar.
- Depois de matar você- disse a mãe.
- Ele teria coragem de matar a própria filha?- perguntou o garoto.
- Ah, meu Deus! Aproveita e, quando sair, leva esse menino para assistir alguma aula de interpretação de texto. É todo lerdo, pelo amor de Deus...
- Mas como é que eu vou interpretar um texto, se a senhora nem escreveu?


Dona Sheila saiu, irritada pela burrice do rapaz e de sua filha, que nem para arranjar namorado prestava.

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