quinta-feira, 7 de abril de 2016

Pegando uma carona




O que aconteceu ontem foi muito engraçado. Tinha acabado de sair da faculdade e estava a caminho do ponto de ônibus. Chegando lá me sentei e esperei, por alguns minutos. Não havia ninguém ali por perto, ou seja (aso você não consiga inferir o que eu quis dizer) estava sozinha no local. De vez em quando passavam alguns carros pela avenida, um deles, com quatro homens dentro, buzinando, provavelmente querendo me dizer que me achavam muito gostosa (coisa que eu já sei, pois conheço meu corpo muito bem). Gastei mais alguns minutos, mexendo no celular e ouvido música ao mesmo tempo, coisas que meus pais nunca me recomendaram fazer no meio de uma rua em qualquer hora do dia, muito menos ao mesmo tempo, "é um perigo, minha filha, um perigo...", é o que sempre diz minha mamãe. Pois bem, continuando, já estava ficando de saco cheio de tanto esperar, porque já se aproximava do meio dia e a fome aumentava a cada instante, sem falar no calor, que não estava me fazendo nada bem. "Será  que o ônibus quebrou? Provavelmente passou mais cedo hoje...", pensava isso, com a ideia de chamar um táxi e ir para casa. Estava prestes a digitar o número de uma companhia de taxistas quando um carro parou na minha frente e, buzinando para mim, me chamou para me aproximar do veículo. O vidro do lado do passageiro abaixou-se e eu me desloquei até a abertura.

- Sim...
- Está esperando o ônibus?- disse o motorista, que era um gato, lindo, maravilhoso e, pela calça que estava bem apertadinha, parecia ser bem gostoso.
- Estou sim.
- Quer uma carona?- Hummm..., o que tu vai querer em troca, heim?, pensei.
- Ah, não sei...- disse eu.
- Não sabe? Ou você aceita ou não.
- Eu não conheço você.
- Pois eu te conheço, você por acaso não é irmã do Diego? Ele é amigo do meu irmão, Lucas. Ele foi ontem lá em casa e passou o dia lá, estudando, brincando e bagunçando a casa inteira. Minha mãe ficou uma fera...
- Como é o nome da sua mãe?- indaguei.
- Catarina Ferreira Techaco.
- Aceito sua carona.
- Pois entra aí, gatinha.
Entrei no veículo, estava com a autoestima lá em cima. Se soubesse que o Lucas tinha um irmão desses, eu iria fazer a ele algumas visitinhas, levando o meu irmão, é claro, pois tem que ter uma desculpa.
- Você estava estudando?- perguntou ele.
- Sim, tinha acabado de sair e estava a um tempão ali, esperando a porcaria do ônibus.
- Nossa...
- O que foi?
- Não sabia que mulher bonita falava palavrão.
- Sou uma cidadã indignada com o transporte público, o que você quer que eu faça?
- É isso aí, menina, é isso aí!- falou ele, agora rindo.
- E você?
- Eu?
- Sim, você vem de onde?
- Ah, eu venho da casa do meu tio. Tive que levar uns documentos da esposa dele que ela havia esquecido lá em casa.
- Esse carro é seu?
- Não, é do meu pai.
- Você parece mesmo muito novo para ter um carro.
- Não tem nada a ver. Eu não comprei meu carro ainda, mas vou tira-lo no mês que vem.
- Você trabalha?
- Sou modelo.
- Sério!
- Mas é claro, por que não seria? Você não me acha bonitão?
- De óculos, sim.- disse eu, em seguida ele tirou os óculos.
- Sem óculos, também.- falei novamente. Ficamos em silêncio por alguns segundos. Em seguida, não sei o que deu na minha cabeça nessa hora, perguntei:
- Você é gay?
- Não, não.- disse ele, dando-me um sorriso belíssimo.
- Ah, desculpe.
- Eu entendo, uma parte dos modelos são gays, mas não todos. Eu conheço vários que não são homossexuais.
- Eu conheço um que é.
- Como é o nome dele?
- Gustavo Chennor.
- Nunca ouvi falar.
- Ele é gay.
- Mas também, com um sobrenome desses...- ele falou, e caímos na gargalhada.
O percusso para a minha casa foi desse jeito: conversando, ele contando piada, eu achando graça... Senti uma grande afinidade por ele. Era simpático e educado. Mostrava ser bastante inteligente também, havia feito faculdade. Chegamos em casa.
- Chegamos- disse ele.
- Obrigada pela carona.
- Por nada.
Saí do carro, antes de eu fechar a porta ele perguntou:
- Como é mesmo o seu nome? Eu me esqueci.
- Você não se esqueceu, foi eu que não lhe disse. Meu nome é Flávia, e o seu?
- Bruno, Bruno Techaco.- disse ele, esse era o meu nome preferido: Bruno.
- Prazer, Bruno. Que tal a gente se falar depois, quem sabe...
- Quer sair comigo hoje? Caso você seja solteira.
- Sou solteira, sim- falei, quase dando pulinhos de alegria.
- Pois tá OK, passo aqui às nove, pode ser?
- Pode, sim.
- Está bem, já vou indo. Até mais tarde.
- Até.
Ele saiu. Eu fiquei parada por cinco segundos, parecendo uma boba apaixonada. Em seguida me virei e entrei em casa.

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