sábado, 23 de abril de 2016

O "ele", o "sempre", o "queria" e o "ontem"




Foi a coisa mais linda. Não esperava que ele um dia poderia fazer uma coisa dessas, e tenho muitos motivos para pensar assim. Ele nunca demonstrou ser romântico, e muito menos que queria algo sério comigo. Vai entender cabeça de homem... Confesso que fiquei chocada quando vi aquele quarto. Entrei em estado de choque, para falar a verdade.

Foi tudo exatamente assim. Ele me convidou para sair na noite de ontem. O ele na verdade é o meu agora namorado porque, até ontem, era só um ficante. Pelo menos era o que eu pensava que ele pensava. Sempre o amei, sempre fui louca por ele, sempre achei que ele era o homem da minha vida, mas sempre evitei falar isso a ele. Deve ser por isso que sempre evitou tocar no assunto sobre o estado do nosso relacionamento. Bem, mas, continuando, ele me levou para sair. Fomos a um restaurante, o que estranhei, pois ele nunca me levou para um restaurante, mas somente a lanchonetes e bares. Restaurante é coisa de namorados, noivos e casados. Com ficantes não tem nada a ver. Mas mesmo assim engoli e não perguntei nada a respeito. Engoli também a comida, que estava uma delícia. Terminado o jantar, ele me diz que pretendia me levar para o apartamento dele, pois seus pais tinham viajado e só voltariam dali a mais ou menos dois dias. Eu aceitei, pois adoro ficar junto com ele sobre um colchão macio.
Entramos no condomínio, como qualquer outro dia. Ele deu alô ao vigilante, ao porteiro e a qualquer pessoa que passasse pela gente. Entramos no quarto. A luz apagada ficou acesa. Eu me sentei no sofá, porque, geralmente, era ali que ficávamos todas as vezes que íamos a casa dele. Pediu-me que levantasse, pois não era ali que iria rolar. Dei um sorriso a ele e me direcionei para o segundo quarto em direção ao banheiro, é lá onde ele dorme. "Espere. Você não vai sozinha, tenho uma surpresinha no meu quarto", disse ele. Dei um sorriso para ele, que me retribuiu. Chegou até mim, saindo da cozinha, com duas taças e uma garrafa de espumante. Não conhecia a marca, mas tive certeza que era daqueles bastante caros. Deu-me uma e ficou com a outra para, em seguida, encher nossos copos. Fizemos um brinde. Perguntei o porquê do brinde e ele me disse que, quando entrássemos no dormitório, eu iria saber. Fui conduzida à porta do seu quarto, ele a abriu. Não precisou-se acender a luz para ver seu interior. Velas e abajures iluminavam um quarto perfeitamente decorado. Balões de festa vermelhos flutuando e querendo atravessar o teto davam um toque muito especial àquele quarto que, até a última vez em que eu tinha pisado, era um verdadeiro chiqueiro. Havia também algumas coisinhas vermelhas sobre a cama, e não sabia o que diabo era aquilo. Eram pétalas de rosas vermelhas, descobri isso quando me aproximei da cama.
Notei várias fotografias, penduradas nas leves cordinhas amarradas aos balões. Havia uma sacolinha, também. Perguntei o que tinha ali dentro, ele me disse que era uma lingerie. Nem precisei indagar a cor da peça íntima, "provavelmente é vermelha", refleti. No começo pensei que as fotografias eram nossas fotografias, mas eram de outros casais. Bem que ele poderia ter arrumado o quarto com as nossas fotografias, não é? Seria mais romântico. Decidi não reclamar, pois a noite prometia. E foi o que aconteceu. Quando perguntei o porquê daquilo, ele me falou que não estava afim de continuar com esse relacionamento de criança, queria algo sério comigo. Queria que eu fosse sua namorada. Queria também que eu passasse o resto da minha vida ao lado dele. Queria também saber se eu aceitava ou não a sua proposta. Eu disse que sim, pois não dispensaria um homem desses por nada deste mundo.

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