sábado, 30 de abril de 2016

Como ela mudou




Tudo começou no ensino fundamental. Cursávamos o quarto ano. Patrícia era tão comportadinha, quieta... mal falava com alguém. Geralmente só com os professores e, em raras vezes, comigo. Sempre tive uma relação boa com a menina. Sentava ao lado dela e, sempre que precisava de alguma coisa- uma caneta emprestada, uma borracha, um lápis...- era a ela que pedia. Nunca tive meu pedido recusado, muito pelo contrário. Me tratava como se fosse seu irmão, pois era muito, mas muito educada mesmo. Ela nunca me pediu nada, mas fazia questão de agrada-la. Não que eu estivesse apaixonado por ela, pois não era. Mas por que gostava daquele jeitinho reservado que somente ela tinha. Passou-se um, dois, três... e, por fim, acabamos o ensino fundamental, porém não juntos. A jovem saiu da escola quando cursava o oitavo ano, porém eu continuei na instituição até concluir o primeiro grau. Parece que ela me dava sorte, porque no ano seguinte, quando saiu da escola, eu reprovei em, tipo, todas as disciplinas. Atrasei um ano.

Começou o ensino médio. Escola nova, turma nova, pessoas novas, assuntos e conteúdos novos. De uma hora para outra ela aparece na minha sala. Estava um ano atrasado e provavelmente foi isso que me espantou de vê-la ali, novamente sentada ao meu lado. Queria perguntar se ela havia reprovado em alguma disciplina no ano passado, mas não o fiz. Continuava com aquele jeitão esquisito. Parecia ser mais tímida do que quando estudávamos juntos. Patrícia parece que me reconheceu, pois, no primeiro dia de aula, me deu um oi, assim que me viu. Deveria ter aproveitado essa oportunidade para saber se, realmente, aquela garota quietinha e estudiosa, havia reprovado no ano passado, mas não o fiz. Cursamos o primeiro, o segundo e o terceiro ano do ensino médio. Concluimos, desta vez juntos, na mesma instituição.
Hoje já faz mais de três anos que conclui o segundo grau. Não pensava mais nos meus ex-colegas de escola, pois agora tinha novos amigos, de diferentes temperamentos. Já cursava na faculdade, Fisioterapia. Mas recentemente via alguns dos meus ex-colegas de turma. Via o Bruno, o Rafael, a Andressa... entre outros parceiros que ainda não tinham sofrido com os três anos de envelhecimento. Semana passada vi a Carol, estava mais gorda. Ao contrário do André, muito mais magro. O que me chamou a atenção mesmo foi a mudança de Patrícia. Cabelos muito assanhados, piercing no nariz, na língua e nos lábios, anéis de caveira, munhequeiras, camisa de rock pesado e, para completar o figurino, um cigarro que não parecia ser daqueles artificiais. Tinha visto a jovem naquela praça onde sempre passeava nas tardes de sábado. Estava sentado no banco, mexendo no celular. Ela vinha na minha direção e tenho certeza que ela me viu, e me reconheceu, é claro. Mas preferiu fingir que não sabia quem eu era, pois passou na minha frente e nem me deu um oi.

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