sexta-feira, 11 de março de 2016

Onde se meteu essa menina?




Tinha acabado de acordar, era pouco mais de uma da madrugada. Me levantei e fui para a cozinha, estava decidido a assaltar a geladeira. Saí do quarto e, quando percorria o corredor, passei em frente ao quarto da minha filha, Adriana, a caçula dos meus quatro filhos. A porta estava aberta, mas não muito escancarada. Não sei o que me deu na hora, mas fiquei com aquela vontade de espiar o interior do cubículo. Fiz isso provavelmente porque sempre soube que ela gostava de privacidade, como dormir com a porta trancada, por exemplo. Mas a passagem estava aberta, o que eu achei estranho.

Coloquei minha cabeça entre a abertura e dei uma olhada. Não havia ninguém ali. Cadê ela?, pensei. Entrei no quarto, para ter a certeza de que não estava enganado. E cheguei à conclusão de que eu não estava mesmo enganado. Não havia ninguém lá dentro. Vasculhei os outros quartos, isto é, os dos irmãos dela, que dormiam com a porta destrancada, nada além deles. Saí e caminhei para a cozinha, "deve ter ido assaltar a geladeira, afinal, é minha filha, não é?". Não a encontrei na cozinha. Fiquei preocupado, então pensei que poderia estar na sala. Eu iria lá, sim, mas só depois de comer alguma coisa. Na hora da fome, é prioridade sacia-la. Terminada a refeição, caminhei à sala. Não a encontrei. Cadê essa menina, Deus!? Fui ao banheiro, não estava lá, aproveitei para dar uma urinada. Percorri toda a casa e não encontrei nenhuma pista ou dica de onde aquela jovem poderia estar. Já estava de saída para a rua, quando notei algo estranho. Era um carro, estacionado bem de frente à casa. Especificamente de frente ao portão. Não era o carro de algum vizinho. Se o carro está ali, é porque ele queria estar ali. Caminhei até ele, era um bonito automóvel, daqueles clássicos, sabe? Não precisei abrir o portão, já tinham escancarado este. Que coisa esquisita, pensei. Cautelosamente, me desloquei ao veículo, os vidros eram daqueles transparentes e não tive nenhuma dificuldade de espionar o interior do carro. Assim que coloquei o meu rosto no vidro, vi a cena. Fiquei espantado com aquilo, acho que qualquer pai ficaria. Encontrei minha filha se pegando com um rapaz que nem sei quem é. O garoto não parecia ser um garoto. Achei que era um adulto. Tatuagens cobriam boa parte de suas costas, entre elas um dragão. O garoto, que agora tenho certeza que era um homem, tinha idade superior a da minha filha, de apenas 17 anos, disso eu tenho certeza. Senti um cheiro saindo lá de dentro do automóvel. Um cheiro bastante peculiar. Não levei muito tempo para descobrir que aquele odor era de maconha. Eu nunca havia sentido essa fragrância, não sabia como era. Mas a fumaça do fumo já percorrera várias vezes o meu nariz, pois meu pai gosta de fumar. Então, pensei, se era fumaça saída de um cigarro e não cheirava a tabaco, só podia ser uma coisa: maconha. Será se minha filha está curtindo a erva?, indaguei. Deixei para lá. Continuei espionando. O homem estava de costas para a minha visão, Adriana de frente para mim, de pernas abertas, mas não conseguia me ver. Fiquei me perguntando o porquê. Ou deve ser porque está muito escuro aqui na rua, ou porque ela está muito concentrada no homem ou, então, o que parece ser óbvio, Adriana deve está muito doidona por causa da maconha.
Depois de alguns minutos observando aquilo, sai para dentro de casa. Poderia ter atrapalhado a brincadeira dos dois. Poderia te-la arrastado para casa e dado umas boas palmadas nela, por estar transando com um cara dentro de um carro e fumando maconha ao mesmo tempo. Não fiz nada disso, pois sou um pai liberal e sei o quanto a minha filha é responsável. Ela está apenas se divertindo. Voltei ao quarto, me deitei e tentei esquecer a cena. Dormi durante várias horas.

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