quarta-feira, 16 de março de 2016

Namorei com o meu braço




Vou contar um caso que, eu tenho certeza, já aconteceu com muitos de vocês, leitores. É sobre o primeiro beijo. Pra falar a verdade não é sobre o primeiro beijo, mas sobre o que acontece antes dele.
No período em que éramos apenas BV, que significa boca virgem, ficávamos naquela expectativa de encontrar alguém interessado em nós e louco para nos beijar. Ficávamos imaginando como seria um beijo, não é? Como seria beijar na boca? Eu me perguntava muito. Ai, depois, vinha as fantasias. Eu, por exemplo, tinha meus amores platônicos. Vários, aliás. Era a Jéssica, a Aurinete, a Geysiane, a Adriana... e por aí vai. Vivia imaginando eu e uma dessas meninas mantendo um relacionamento estável, tipo aquele namoro que vai dar em casamento, sabe? Fantasiava nossos beijos, abraços, carícias, brigas, discussões, nossas voltas e até mesmo as relações sexuais (essa era a minha parte preferida!). Mas não ficava com nenhum desses amores platônicos, e ainda não fiquei com nenhuma delas, pois não há contato entre a gente. E mesmo havendo contato, também não rolava, pois geralmente as minhas musas e deusas da adolescência já estavam namorando. Às vezes desejava mulheres acompanhadas. Eu sei que é errado desejar a mulher alheia, mas o que posso fazer? Grande parte dos homens é assim, não é? Tenho a capacidade de me interessar e, até, me apaixonar por várias garotas, ao mesmo tempo, confesso. Muitos homens também são assim. Homem é tudo igual, como dizem as mulheres.
Antes de dar o primeiro beijo de língua, pois já tinha dado alguns selinhos, tinha um hábito muito peculiar, que tenho certeza que é comum entre o ser humano: o ato de namorar um dos braços. Sim, é isso mesmo. Namorava com o meu braço, o direito. E era tipo uma namorada mesmo. Imaginava que havia uma boca nele e mandava ver. Lambia e chupava a carne dele. Acho que foi desse modo que aprendi a dar um beijo de verdade. Era tão massa. Era como se aquela pessoa por quem você estava apaixonada estivesse ali, com o rosto colado ao seu, a boca dela colada a sua, saboreando a sua língua. Eu pirava. Estou sendo realista com você, leitor. E muito sincero também. Fantasiava mesmo. Mas não em público, não queria que ninguém achasse que eu, além de ser um louco, era também um idiota e pervertido. Entretanto, quando estava sozinho, aproveitava tanto que meu braço ficava todo babado. Chupava tanto ele que o deixava vermelho na parte da "boca imaginaria", que é a região sobre a qual eu encostava meus lábios. Fiz isso durante muito tempo e me sinto muito feliz por isso. O meu braço direito é, ainda hoje, uma espécie de segunda opção, sabe? É como se estivesse alguém do meu lado, preso a mim e, caso me sentisse necessitado de beijo, poderia dar uma curtida nele. É tipo uma companhia presa a você por toda a sua vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu Blog · Design por Alves Alvin · Todos os direitos reservados - Copyright © 2014 · Tecnologia do Blogger