segunda-feira, 14 de março de 2016

Meu anjinho de estimação




Queria um anjo na minha vida. Não um daqueles religiosos, sabe? Tipo o Gabriel. Não, não, não... quero algo diferente. Queria um que fosse bem badboy. Transaria com ele. Queria um somente para isso, sabe? Desejaria um também que fizesse outras coisas como, por exemplo, andar, passear, bagunçar. Curto muito rock e gosto de ler livros sobre magia, bruxaria, coisas obscuras, vampirismo... É por isso que desejo ter um anjinho bem doidão.


Larissa tinha acabado de chegar da escola. Cursava o terceiro ano do ensino médio e estudava para prestar o vestibular para ingressar na faculdade de Letras. É o curso perfeito pra mim, dizia ela para os pais, que gostariam de vê-la estudando Direito, Medicina ou Engenharia Civil. Gastamos dinheiro com um ótimo colégio para você conseguir um bom curso, daquele que valha a pena, que recompense o dinheiro gasto, reclamavam os pais. A garota não dava nem um pingo de atenção às críticas. Não pedi para que me pagassem colégio particular, pensava. Ia mesmo era fazer Letras, não estava nem aí. Amava literatura e dizia isso para todo mundo. Leitura, para mim, é prioridade. Prefiro ler cinco livros em um mês do que um compêndio no mesmo período, é o que cansava de falar. O quarto dela atulhava-se de obras literárias de variados estilos e temas, desde romantismo, investigativo, suspense, terror, sexo, vampiros, bruxas, entre outros. Parecia uma biblioteca. Um dia vou ter uma imensa biblioteca particular, pode ter certeza disso. Bem, já falei um pouco da jovem, agora é hora de continuar a estoria.
Como tinha dito, Larissa tinha acabado de chegar da escola. Colocou a mochila bastante pesada sobre a cama e, depois de pegar a toalha, foi para o banheiro, que ficava dentro do seu quarto. Terminada a ducha, saiu e, vestida apenas de toalha, se jogou na cama. Fazia isso todo santo dia, quando chegava. Se deitou de bruços sobre o colchão e, em seguida, esticou o braço direito para introduzi-lo no orifício que ela mesma fez na lateral do colchão. Tinha um tesouro lá dentro, um vibrador, para ser mais detalhista. Era hábito da jovem se masturbar depois de um delicioso banho, após chegar de um dia cansativo de aula. Queria dar uma relaxada. Ligou o computador e o programou para tocar uma música, pois não queria que ninguém escutasse seus gemidos. Despiu a toalha e, já deitada de costas sobre a cama, começou a se penetrar. Fazia movimentos bastante lentos com o brinquedinho, para dentro e para fora. Colocava-o na boca, passava a língua, apreciava o gosto e, depois, repetia o processo. Estava fazendo movimentos mais agressivos, dando gritinhos e gemendo baixinho, quando notou a presença de alguém no seu quarto, parado, encostado na parede que, milionésimos de segundos antes, não havia ninguém.
- Ai, meu Deus!- disse Larissa. A jovem tentou dar um grito, mas não conseguiu. A reação dela era apenas espanto. Que diabo é isso? Se perguntou, ao ver a figura fora do comum em pé, ao lado esquerdo da cama. Havia muitos motivos para a jovem ficar sem palavras a cena, pois o personagem que descreverei aqui era muito peculiar.
A criatura era um jovem, com aparência de uns dezoito anos. Seu rosto? Muito belo e ela não notou nenhuma espinha. Suas sobrancelhas eram bem feitas e desenhadas. Cabelos pretos, bem pretos. Quer dizer, muito pretos. Pela clara e com várias tatuagens no braço, como caveiras e outras coisas esquisitas. Vestia uma camisa regata da cor cinza claro, bermuda jeans preta e calçava tênis daquele modelo usado por fãs de skate. Também notava-se um brinco, na orelha esquerda dele. Fumava um cigarro, parecido com o do seu avô, pois era branco e com o filtro amarelo. O que mais chamava a atenção era o que se prendia às costas do garoto: um par de asas brancas e lindas. A figura olhava para Larissa. Ficou assim por alguns segundos, em seguida manifestou-se:
- Olá - disse ele, de um modo bastante sério, falava como um badboy.
- O-o-olá - respondeu a jovem, muito atônita com aquilo.
- Você é a Larissa, não é?
- Sim, sou eu.
Ficaram mais algumas dezenas de segundos em silêncio, apenas observando um ao outro.
- Você não vai me perguntar quem eu sou?- indagou o garoto.
- Quem é você?
- Sou seu anjo.- disse ele, calmamente.
- Anjo!!??!?- ela não estava nada calma.
- Sim, anjo. A-n-j-o: Anjo!
- É uma piada?
- Quer mesmo que eu responda?
- Mais é claro!- ela com certeza não está nenhum pouco calma.
- Não, não é piada.
- Saia do meu quarto, agora!
- Está bem.
O anjo desapareceu. Larissa viu o rapaz sumir de onde estava, e deu graças a Deus por isso ter acontecido. Não queria mais se masturbar, tinha perdido a vontade. Só então percebeu que tinha ficado nua na frente da criatura de asas brancas. Droga! 
- Vou contar para os meus pais. Será se eles irão acreditar na história? Eu, com toda certeza, não acreditaria.
- Pois deveria acreditar- o anjo havia voltado, estava do mesmo jeito daquele descrito agora pouco.
- Que diabos você faz aqui?!?! Anda sai!!- falou a moça, agora se cobrindo com a toalha.
- Ficou com vergonha agora?
- De quê!?!?
- De ficar peladinha na minha frente?
- Vai pra merda!
- Nem pensar.
- Então vai tomar no cu!!!- disse Larissa, impressionada de falar daquela forma. Mas foi ele quem começou.
- Não, não posso. Estou aqui por causa de você.
- Por causa de mim?
- Sim, você me desejava, esqueceu? Queria um anjinho badboy, daqueles bem doidão, sabe?
- Não acredito nisso...
- Pois deveria acreditar. Sou seu anjinho de estimação. Estou aqui para te conhecer, para te alegrar, para te ajudar e, claro, para nos divertirmos juntinhos, só nós dois. Você não pode falar para ninguém sobre mim. Vim de outro mundo. Tenho apenas uma missão: substituir esse seu troço pontudo que fazia você gemer antes de eu ser notado.
- Como você se chama?
- Ruan
- Será que estou sonhando?
- Não, Larissa, você não está sonhando.

Pois é, querido leitor, Larissa realmente não estava sonhando. A figura que a garota observava na sua frente, agora sentada sobre a cama, igualmente à moça, era muito realista, assim como o que iria rolar entre os dois.

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