terça-feira, 15 de março de 2016

Foi só o primeiro dia




Os dois se conheceram no primeiro dia de aula. Cursavam Letras, pois eram fanáticos por literatura. Descobriram o amor um pelo outro por meio dos livros. Assim que terminou a primeira aula, cada aluno, como era de costume entre os estudantes daquele curso, saia para um passeio pela biblioteca.

Raul havia chegado primeiro que Andreia. Esta o encontrou na parte dos fundos do lugar, próximo às estantes de romances não-fictícios. A garota adorava esse tipo de livro, foi por isso que se aproximou dessas prateleiras. Não deu muita bola ao jovem, que não tirava os olhos dela, e o motivo é bastante simples: para ela, homem é algo secundário, a prioridade são os estudos e o trabalho. Raul estava apaixonado pela moça, é um daqueles que se apaixona muito, muito, mas muito rápido. Rápido mesmo. Bastou olhar para a loirinha, que ficou cheio de vontade. Começou a fantasiar, a imaginar  os dois ali, se pegando apaixonadamente. Queria abraça-la, beija-la e sentir seu cheiro. Queria fazer amor com ela, não somente agora, mas todo o santo dia. Queria passar o dia inteiro com ela. Queria, para falar a verdade, passar o resto de sua vida com a jovem. Mas ficou calado, sem fazer nada. O garoto é tímido, não tem culpa de nada. A maioria dos jovens são assim, não é verdade? Muitos são azarentos, mas não o Raul. Este era azarento, a partir daquele dia não seria mais. Não que ele tivesse criado coragem. Mas porque Andreia notou algo de peculiar nas mãos do rapaz. O jovem segurava nas mãos A Sangue Frio, de Truman Capote. Um excelente livro. Assim como a garota, Raul adorava obras não-fictícias. Ainda não tinha lido o escrito de Capote, estava a procura dele. Por fim o encontrou, na biblioteca da faculdade. A moça também estava à procura, foi por esse motivo que ela se aproximou do estudante: queria muito o livro.
- Você vai ler esse livro, moço?
- É, estou pensando em lê-lo, sim. Estou a um tempão procurando por ele.
- Eu também. É muito massa, minhas amigas viviam falando dele.
- Se você quiser, pode ler, depois eu devoro ele.- disse Raul, já muito tímido e sem conseguir disfarçar a cara envergonhada.
- Não, leia você, depois eu leio. Já tinha me interessado por este aqui- ela mostrou o livro que havia pegado minutos antes- pode ficar com ele, não tenha pressa.
- Valeu. Você estuda aqui?- perguntou o moço.
- Estudo, sim.
- Que curso?
- Letras
- Ah, que legal! Eu também, acredita nisso?
- Mas eu sou novata.- respondeu Andreia.
- Eu também.
- Sério!? Eu não te vi na sala.
- Talvez estejamos em salas separadas.- disse Raul.
Não, os dois não estavam em salas separadas. Existia apenas um única turma de novatos do curso de Letras. Eles é que não deram muita atenção um ao outro. Raul no fundo da sala, Andreia na frente.
- Bem, é... do que você gosta de ler?- indagou o rapaz, que não conseguia esconder o interesse pela moça.
- Romance, independentemente de ser ou não de ficção.
- Sou que nem você. Mas eu não curto muito poesia.- disse o jovem.
- E quem disse que eu curto?
- Não curte?! Pensava que as garotas gostassem de poesia.
- Você pensou errado, rapaz. Acho poesia e poema coisas ridículas.
- Eu também.
Era hora da próxima aula. Foi a garota quem notou, após dar uma espiadinha no relógio do celular.
- Olhe, já está na hora da próxima aula. O professor vai falar sobre literatura antiga.
- Que engraçado, o meu também.- disse o jovem.
- É sério?
- Sério.
- De que sala você é?- perguntou Andreia.
- Daquela que fica no fim do corredor.
- Não acredito. Eu também!
- Quer dizer que frequentamos a mesma sala?- perguntou Raul.
- Sim.
- Que legal, então podemos ir juntos, que tal?
- Pode ser.
- Eu não sei o seu nome.
- Andreia, e o seu?
- Raul
E os dois partiram para a próxima aula. Durante o percurso falaram sobre algumas coisas que envolvem literatura. Haviam descoberto grande afinidade um pelo outro.

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