sexta-feira, 18 de março de 2016

Fiquei com ela




Ali está ela, deitada sobre a minha cama. Como poderia isto ter acontecido? Ainda não sei explicar. Nunca pensei que um dia dormiria com a garota dos meus sonhos. Ela sempre me ignorou e, agora, está aqui, dormindo na minha cama, no meu quarto, na minha casa. Não sei o que dizer sobre isso. Somente que eu estou feliz, muito feliz.

Eu havia acabado de  entrar na festa, era uma baguncinha que rolava na casa da Mariana, minha colega de faculdade, uma das poucas que tenho e mantenho conversa. Conhecia todo mundo ali, mas não falava com todos. Apenas os via na instituição, durante o período letivo. A garota que agora dorme sobre o meu colchão nunca foi de bater um lero comigo. Me via diariamente, tenho certeza que poderia reconhecer-me em qualquer lugar. Não vou mentir, fazia de tudo para chamar a atenção dela. Queria que essa jovem que está sob o meu lençol desse a mim um mínimo sinal de sorriso, para alegrar o meu dia. Isso nunca aconteceu, até ontem. Este foi o melhor ontem da minha vida, e tenho a impressão de que o hoje será, amanhã, o segundo ontem mais legal da minha vida. Tenho a impressão também de que isso ocorrerá sucessivamente.
Apesar de estar um pouco me achando, me auto-bajulando e/ou me auto-vangloriando, confesso que tudo ocorreu de um modo bastante simples. Não foi TÃO difícil, assim. Imaginava que seria complicado pegar essa mina, mas não foi.
Como tinha dito anteriormente, havia entrado na balada. Estava muito bem arrumado, com minha calça jeans preta, camisa branca e tênis All Star. Um estilo básico para participar de qualquer tipo de festa, acho. A bagunça era geral: música alta, bebida para dar e vender, pessoas para lá e para cá, independentemente do sexo. Percebi que havia mais mulheres do que homens. Graças a Deus, pensei, só saio daqui sozinho se eu for um azarado de carteirinha. Nunca fui um azarado de carteirinha, e não seria naquela noite. É claro que não estava sendo muito notado na casa, mas, e daí? Uma hora apareceria alguém, não é? Ou será que não? Pensei nisso durante todo o momento em que estive sozinho, dentro do ambiente festivo.
De todas as garotas com quem fiquei, nenhuma teve a ousadia de chegar por trás de mim e passar a mão por detrás da minha cintura, apenas ela. A minha garota tinha fama de brincalhona e ousada. Quando estava afim de alguém, chegava mesmo, não estava nem aí. Foi o que fez comigo. De pé e encostado com os ombros numa das colunas que ajudam a estruturar o terraço da casa da Mariana, futricava no meu celular. Fazia isso porque não tinha nada para fazer. Estava muito escuro, então não passaria vexame, pois ninguém iria me notar. E ninguém me notou mesmo, com exceção dela. Ela era a última pessoa que pensei que iria se sentir atraída por mim naquele ambiente frequentado por muitos marmanjos bonitos e estilosos. Não me acho feio, mas bonitão, um deus grego e um gostoso não me acho, tenho certeza que muita gente concorda. Mas chamei a atenção dela, não sei explicar. As vezes tenho a impressão de que essa deusa quis me pegar pelo fato de ela ter ficado com todos os rapazes dali de dentro, então, obviamente, queria algo novo, diferente, algo que ela nunca pegou. Esse algo era eu e estou muito contente por ter sido eu.
Tudo aconteceu rapidamente. Tão rápido que preciso de apenas poucas linhas para contar o ocorrido.
- O que você está fazendo aí sozinho, rapaz?- ela me perguntou.
- Nada, só mexendo no celular, nas redes sociais, para ser mais específico- respondi de um modo muito tímido.
- Veio a uma festa para ficar mexendo no celular?
- Não exatamente. Não tenho muitos conhecidos aqui, para bater um papo, sabe?
- Mas eu te conheço, e tenho certeza que você me conhece.- ela disse.
- É, conheço sim.
- Me acha bonita?
- Acho, sim.- te acho gostosa também, se você  quer saber, pensei.
- Quer ficar comigo?
- Sério!?- falei, parecendo uma criança.
- Sim, sério- ela respondeu, rindo de mim.
- Quero ficar com você, sim.
- Pois venha.
Ela me arrastou para os fundos da casa. Trocamos nosso primeiro beijo, foi o beijo mais gostoso que provei. Era um tipo de gosto que é delicioso mas que não há nada para se comparar. Eu estava afim de transar com ela, e não foi o beijo que me estimulou. Antes de ficar com essa gata, já fantasiava com ela. A jovem possuía um corpaço. Ficava excitado só de pensar em ver ela transando. Queria muito ver essa gata nua, na minha cama. Ela percebeu meus pensamentos e perguntou:
- Quer transar?
- Quero sim.
- Você mora com os seus pais?
- Moro, mas eles estão viajando.
- Quer dizer que está sozinho em sua casa?
- Exatamente.
- Quer me levar para lá?
- Quero sim.
- Pois venha.
- humhum.- disse, parecendo uma criança obediente.
Foi exatamente isso que ela fez: me arrastou, como uma mulher de atitude, para fora da festa, caminhamos para o carro dela(eu tinha ido de transporte coletivo) e fui levado para a minha casa. Esse foi o começo de tudo que rolou ontem, o melhor ontem de todos os ontens, pelo menos até agora, acho.

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