quinta-feira, 24 de março de 2016

Descobri que sou bissexual




Foi na balada. Foi na balada que rolou. Nunca me imaginei numa cena dessas. Quem diria, heim? Euzinha aqui ficando com uma pessoa do mesmo sexo que o meu. A gente nunca deve afirmar exageradamente coisas relacionadas a nós mesmos, porque a gente não se conhece direito, entende? Uma hora você diz que não gosta de uma fruta e, de repente, descobre que estava mentindo. Pior: estava mentindo para si mesmo.


Era mais uma noite de sábado. O tempo estava muito limpo, com estrelas, lua clara e aquele vento frio, geladinho, que nos obriga a ficar trancafiado dentro de casa. Eu não gostava de se enfurnar dentro de um local, adorava sair, quer dizer, adoro. Foi por isso que me arrumei para sair, havia uma festa rolando numa casa de shows ali perto, não queria perder o evento.
- Já vou indo, mãe e pai, meu amores!- disse a meus pais, eu os amo muito.
- Minha filha, fica em casa, está fazendo muito frio.- disse meu pai, que era mais medroso do que eu e minha mãe, quando o assunto era a minha segurança.
- Deixe ela, agora já é adulta. Cada um segue seu rumo.- falou a mamãe que, como você deve ter percebido, é bastante liberal.
- Oh, meu Deus...- reclamou o pai.
- Já vou indo então, tchau!- não estava afim de discutir ou continuar ali dentro daquele ambiente que já estava ficando mais triste a cada segundo.
- Pode ir, minha filha, mas tome cuidado.
- OK!
Graças a Deus, pensei. Foi um alívio, você não tem ideia. Saí como uma louca, feliz da vida. A proteção deles chegava a enjoar, confesso. Mas vamos pular para a festa.
Cheguei lá por volta das 22 horas. Entrei sozinha, com a esperança de sair acompanhada. Havia muitas pessoas no interior do estabelecimento. Conhecia algumas, mas a maioria eram mulheres. Até aquele momento, a moça aqui somente ficava com homens. Destes havia vários, entretanto eram todos gays. Cadê os machos?, indaguei a mim mesma. Pois era difícil encontra-los. Andei, trafeguei, vasculhei, investiguei, procurei. Nada, nada mais do que moças. Belas moças, aliás.
- Oi!- falou alguém por trás de mim, não conhecia essa pessoa. Era bastante bonita: loira, mas não original- luzes, para falar a verdade-, pele clara, com aparência de ser macia e cheirosa, e exalava um perfume que eu adorava nos homens. Não tinha certeza se a fragrância vinha dela. Uma mulher usando perfume masculino? Duvido!
- Oi.- Eu te conheço!?, indaguei, mas não falei isso em voz alta.
- Você vem sempre aqui?
- Sim.
- Eu nunca te vi.- que coincidência, porque penso a mesma coisa.
- Eu venho sempre aqui, sim.
- Está esperando alguém?- ela perguntou.
- Não.
- Veio só curtir mesmo?
- Sim.
- Estou ali com algumas amigas, quer ir para lá, talvez você conheça algumas.
- Pode ser.
- Como é seu nome?
- Bruna.
- OK, Bruna, prazer, me chamo Lienne.
- Prazer.
- Venha, vou te apresenta-las.
Eu não conhecia as amigas da Lienne, mas depois de alguns minutos de papo acabei me entrosando com elas. Conheci a Luíza, a Letícia, a Adriana, a Rafaela. Gostei de todas. Gostávamos de várias coisas, desde moda até comida. Contamos piadas, bebemos, cantamos, comemos, dançamos, foi muito legal.
Tinham se passado mais de 3 três horas desde o momento em que havia chegado, não fiquei com ninguém, até aquele momento.
- Você não fica com ninguém, não?
- Fico, é porque não encontrei ninguém interessante por aqui.
- Tem certeza?
- Sim, tenho certeza.
- O quê que você curte?
- Como assim?
- Não entendeu?
- Não.
- Você é o quê?
- Sou estudante.- eu disse, em seguida ela caiu na gargalhada.
- Você é de onde, menina?
- Daqui mesmo.
- Nem parece, pensei que fosse de marte.
- Não, não... sou daqui mesmo.- ela sorriu de novo.
- Está bem, vou ser mais detalhista. Não, vou direto ao ponto: você gosta de homem ou de mulher? Ou de ambos?
- Eu gosto de homens.
- Já ficou com mulheres?
- Nunca.
- Sente algum tipo de repulsa pelo sexo semelhante ao seu?
Eu não sabia o que dizer a ela. Repulsa eu não tinha, disso tenho certeza. Sempre fiquei com homens. Nunca imaginei que tivesse um rolo com uma lésbica, nem que eu mesma fosse uma.
- Então?
- Oi!
- Então? Você não respondeu a minha pergunta. Sente algum tipo de repulsa pelo sexo semelhante ao seu?
- Não.
- Você acha que poderia ficar comigo essa noite, ou em outras?
Não sei o que deu em mim. Estava hipnotizada. Queria ficar com ela. Algo esquisito tomou conta de mim, acho que foi uma espécie de curiosidade.
- Acho.
- Está afim?
- De ficar com você?
- Sim.
- Estou.- disse, espantada com a minha atitude. Nem com homens eu era assim.
- Legal. Quer dar uma volta, beber alguma coisa lá fora, só nós duas?
- Sim.
- Pois me acompanhe.
Eu a acompanhei. Fomos caminhando por uma rua escura e, foi lá, dentro de um beco, onde fiquei com a garota. Não sei muito o que dizer sobre isso, apenas que foi uma das sensações mais legais da minha vida. Descobri que eu era lésbica. Melhor, uma bissexual.

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