terça-feira, 22 de março de 2016

Descobri que estou grávida




É nisso que dá quando uma garota insolente, exibida e soltinha como eu fica se envolvendo com marmanjos que só querem saber do nosso corpo. É uma desgraça mesmo. São um bando de sem vergonha na cara. Quando passava pela rua, ficavam todos assobiando para mim, me chamando de coisa linda, fofinha, gatinha, delícia, entre outros elogios. Chamo essas expressões de elogio porque os acho assim.

Eu adorava, confesso. Minhas amigas morriam de inveja de mim. Elas não chamavam tanta atenção quanto eu. Mas também, só queriam saber de estudar! Viviam escondidas dentro de suas casas! Eu frequentemente as criticava por isso. Falava a elas: meninas, vão aproveitar a vida, vão namorar, beijar na boca, homem gosta é disso, de mulher liberada, vocês nunca pegarão homens legais como os que estão afim de mim, disso eu tenho certeza. Ah, como me arrependo de ter falado essas coisas... Agora estou eu aqui, sem saber o que fazer. Meus pais vão me matar, se descobrirem que estou grávida aos dezessete anos. Estou com medo. Não sei o que eu faço. Não tenho emprego e nenhum conhecimento que me ajude a arranjar um. Estava pensando em chamar as minhas amigas de antigamente- preciso de ajuda, afinal-, mas deixa pra lá. Eu as critiquei tanto que, tenho certeza, elas não irão nem me estimular a enfrentar os problemas de cabeça erguida. Meu Deus, como eu sou burra! Deveria ter me cuidado. Será se eu tenho mesmo a culpa no cartório? Não sou obrigada a andar com camisinha na minha bolsa, não é? Quem deve estar com o preservativo guardado não são os homens? Eu sempre perguntava onde estava a camisinha, eles diziam que não tinham nenhuma. Falava que não podia rolar, mas eles insistiam, dizendo que não era para eu me preocupar porque, quando estivesse, pertinho de gozar tirariam. A abestada aqui aceitava e acreditava na história. Nesse tempo a seca era algo que eu tinha pavor. Era uma espécie de secafobia. Por isso dava para todo mundo. Não todo mundo, quer dizer, somente todo mundo que, ao mesmo tempo, queria me comer e me atraía. Foram vários. Não sei dizer quantos, de um modo específico. Mas foram muitos. Uma quantidade que até me atrapalha de estimar quem seria o pai da criança que cresce a cada dia na minha barriga. Descobri que estava grávida ontem. Poderia fazer uma lista dos machos com quem eu transei. Se levar em consideração apenas os que foderam comigo no mês passado, passaria dos 50, uma média que se aproxima de dois por dia em um mês. É muito, não é? O Rafael com certeza não me engravidou, pois o conheci ontem e, no mesmo dia, fizemos sexo. Mas transamos sem camisinha, por meio do coito interrompido. Você o que é o coito interrompido, não é? Para quem não sabe, é quando o homem transa com a mulher, ambos sem preservativo ou outros métodos anti-gravidez, aí, segundos antes de ejacular no útero da companheira, o homem retira o pênis de dentro da vagina da moça. É um perigo, muito arriscado. Não recomendo. Agora é que você recomenda? porque não pensou nisso antes de engravidar?, é o que deve está pensando, leitor. E a minha resposta é nada, não tenho nada a dizer sobre isso. Entretanto, continuando o assunto, o Rafael não é o pai. A enfermeira me disse que devo ter engravidado a menos de duas semanas. Isso pode me ajudar. Nos catorze dias passados, transei com 20 rapazes: Ricardo, Bruno, André, Rafael, que está descartado da lista dos suspeitos, Douglas, Felipe, Marcos Antônio... e por aí vai. Nossa! Vinte!?!?, é o que deve estar na sua cabeça agora. Mas é isso mesmo, transei com vários. Amo fazer isso, parece que é a minha vocação. Se eu cobrasse 100 reais para cada cara que me comeu, eu estava nadando em dinheiro. Eu era uma verdadeira galinha. Às vezes ficava com dois ou três ao mesmo tempo. O meu recorde foram cinco garotos, simultaneamente, mas nunca ultrapassei esse número, pode acreditar.
Achava muito divertido, provavelmente por que pensava que isso não iria me atrapalhar. Mas agora está me atrapalhando. Estou para ficar louca. QUEM É O PAI DESSE INDIVÍDUO, MEU DEUS!? Ai meu Deus! São meus pais, devem ter chegado. É hora de criar coragem e desabafar. Sei que eles me amam, por isso tenho a grande certeza que irão me apoiar. Não quero abortar a criança, caso queira saber, leitor. Vou criar ela, sim, pois é a minha filha. Não sou uma criatura perversa. Vagabunda, sim, que dava para todo mundo, sim, galinha, sim, mas sem coração, não, isso não.

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