quarta-feira, 23 de março de 2016

Cansei de ser patricinha




- Por que você está vestida desse jeito?- perguntou Guilherme, que não estava nada gostando do estilo de roupa de sua namorada, que era idêntico ao dele: tênis de skate, camisa preta- do Nirvana-, bermuda jeans azul, e um boné com a aba voltada para a parte de trás da cabeça. Segurava nas mãos um skate.
- Ué, não percebeu?!?! Vou andar de skate com você, hoje.
- Mas você não sabe andar de skate, Luíza.
- Eu sei.
- Não sabe.
- Sei, sim!
- Sabe andar de skate?!?
- Não, eu sei que eu não sei andar de skate, DÃÃÃÃ!!- falou a jovem, em seguida fechou a mão e , com ela, bateu na sua testa, como se quisesse fazer uma mímica para mostrar ao seu namorado que ele é burro e não entende das coisas.- Parece que é burro e não intende das coisas.
- Intende? O correto não é entende?
- Vai se lascar, Guilherme!! Anda, vamos andar de skate!!
- Mas você não sabe andar de skate, Luíza.
- EU SEI, EU SEI. É VOCÊ QUE VAI ME ENSINAR!
- Me come logo!! Pareceu um brutamontes falando!
- Brutamontes é você, seu filho de uma puta!!
- É, sou brutamontes mesmo, é por isso que não estou nem um pouco preparado para lhe ensinar a manobrar um skate.
- Está bem, está bem, desculpe.
- Não desculpo não.
- Anda, amor, só quero aprender a andar de skate...
- Mas você nunca se interessou por isso! O que deu em você agora?
- Cansei de ser patricinha. Quero ter uma vida radical, sabe? Do tipo que a gente quebra a cara fazendo essas bobagens...
- Bobagens?- interrompeu o rapaz.
- É sim, bobagens.
- Pois você nunca vai aprender a andar de skate.
- Porquê?
- Para você aprender a fazer alguma coisa, primeiramente deve-se gostar dela. Você acabou de me dizer que odeia skate.
- Eu não disse isso!
- Cansei de ser patricinha. Quero ter uma vida radical, sabe? Do tipo que a gente quebra a cara fazendo essas bobagens.- disse o jovem, enquanto imitava o comportamento e a fala da namorada.
- Eu disse isso sim.
- Então... você o odeia!
- EU NÃO ODEIO!
- ODEIA SIM!
- ODEIO NÃO!
- ODEIA SIM!
- Ei, meninos! dá para parar com essa briga infantil!?!? Sacanagem, estão me desconcentrando.- era dona Francisca, a sogra de Guilherme, que no momento estava ali, no terraço da casa costurando algumas roupas velhas do seu marido.
- Foi mal, minha sogrinha! Desculpa aí, viu?!
- Se decidem logo se vão sair ou se vão ficar aqui brigando.- disse a mulher, no lugar da resposta adequada: está desculpado, Guilherme. Apesar dessa resposta, a dona de casa gostava muito do rapaz.
- Ouviu o que minha mãe disse, não é? Se decida logo: vai me ensinar a nadar de skate ou vai sair por aquele portão sozinho e desacompanhado, quer dizer, solteiro?
- Isso é chantagem, Luíza.
- Não, não tem nada de chantagem. Sou apenas uma namorada que deseja aprender algo com seu parceiro. Não suporto ver você andando com suas amiguinhas skatistas por aí na rua. Não vou com a cara de nenhuma delas.
- Eu sei disso.- afirmou o garoto.
- Ah, sabe mesmo?!??- agora ela estava incrédula.
- Sim, sei.
- E, mesmo assim, você fica andando com elas?- estava prestes a espancar o namorado.
- São apenas colegas, cada uma tem namorado. São aqueles rapazes que andam comigo, entende? Você não percebe que eu sou o único que fica de vela ali no grupo? São sete pessoas. Quatro garotos e três garotas. Isso não combina, entende? Alguém tem que ficar sozinho, desacompanhado, e, nesse caso, sou eu.
- Eu não sabia disso.
- Pois agora está sabendo. Vai se desculpar?
- Está bem, eu me desculpo. Me desculpa por ser tão precipitada, ciumenta e chantagista.
- Ah, quer dizer que você confessa que foi chantagista?
- Sim, fui.
- Está desculpada.
- Sério?!
- Sim, amor. Te amo. Te amo muito, viu?- Guilherme, nesse momento, dá um beijo de cinema em Luíza.- Vamos.
- Para onde?- perguntou a moça.
- Aprender a andar de skate.
- Você disse que não ia me ensinar...
- Era só uma mentirinha. Com disse agora pouco, sempre fico de vela no meu grupo. Nunca gostei disso. Sempre quis te levar, mas você não se interessava. Mas agora... as coisas mudaram.
- Mas eu não gosto de skate, Guilherme, acho isso uma bobagem.
- Ah, Luíza, vai começar tudo isso de novo?!!!???!?!?!

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