sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Quero ir ao parque. AGORA!




- Amor, me leva para o rio?- perguntou Marina, que estava deitada em sua confortável cama de solteiro, junto com seu namorado, Fabrício, que tinha acabado de ser acordado pela a jovem.
- Que rio?- indagou o rapaz, querendo demonstrar que, além de está com muito sono, também estava dominado por uma preguiça contagiosa.
- O do parque, lá no centro.
- Mas fica a quilômetros daqui, amor. É muito longe, entende? Gastaremos muito tempo para chegar lá, sem falar no tempo que levaríamos para nos despertar, escovar os dentes, tomar banho, se arrumar, tomar café, ir até  o ponto de ônibus, e ainda tem o percurso do veículo, o trânsito... chegaremos lá só mais tarde, provavelmente quando o Sol já estiver bastante forte.
- Não tem problema. Levaremos protetor solar, óculos, refrigerante, água mineral, sombrinha... sei lá o que mais!
- Mas eu não quero ir. Hoje é Sábado, esqueceu?- Fabrício pegou o cobertor, virou-se de costas para a namorada e se cobriu com o pano.
Depois de alguns segundos, que Marina dedicou a somente ficar olhando o seu amor, de costas para ela, a garota se revoltou:
- FABRÍCIO! TE LEVANTA, EU QUERO IR PARA O PARQUE!
- Mas que diabo deu em você hoje, mulher! Tá com TPM?
- Você não viu nada, diabo. Anda, eu quero ir para o parquinho!
- Criatura, presta atenção: Vamos passar a manhã juntinhos aqui, na sua casa e, quando for mais tarde, quando o Sol estiver bem frio, aí sim, vamos ao parque.
- Eu queria ir agora.
- Eu não vou agora, eu vou mais tarde. Se quiser ir ao parque agora, vá sozinha.
- Você não é louco de me deixar ir sozinha, como se fosse solteira, a um parque onde frequenta muitos jovens solteiros, vai?
- Deixo sim, você não é doida de me trair.
- Eu sei disso. Entretanto, vai haver um bando de garotões me paquerando. Quero ir ao parque para me divertir e não para ser paquerada.
- Então vamos os dois à tarde, te garanto que ninguém vai te paquerar, amor.
- Mas eu quero ir agora.
- Pois vai, eu fico aqui, curtindo sua caminha.
- Que ódio!
 Ela se levantou e foi ao closet, pegar algo legal para um passeio no parque. Tomou banho, escovou os dentes e, quando estava de saída, disse:
- Tchau! Já vou indo.
Fabrício continuou ali, deitado, na mesma posição, aquela de costas, sobre a cama. "Ela não é louca, eu tenho certeza disso", pensou o jovem que, passados alguns minutos escutou a batida do portão da casa. Se levantou correndo, atrás de Marina. Ela não estava em lugar algum.
- Doida!- disse o garoto.
- Quem é doida?- perguntou a mãe de Marina.
- Ora quem... sua filha, que foi para o parque sem mim!
- Mas ela te convidou, ou não?
- Me convidou. Mas eu disse que era melhor a gente ir à tardinha, quando o Sol estivesse mais frio. Olha o clima que está lá fora! Pelo amor de Deus...
- Até parece que você não conhece a Marina, Fabrício. Quando bota algo na cabeça, ninguém tira.
- É, já sei disso.
- O que vai fazer?
- O que sempre faço: vou atrás dela.
Foi correndo para o quarto e, quando chegou lá, foi logo agarrando suas roupas e vestindo-as rapidamente. Escovou os dentes em dez segundos (um recorde para ele) e lavou o rosto em apenas cinco, mais outro recorde. Saiu em disparada pra fora do quarto e, quando já estava de saída, a sogra perguntou:
- Não vai tomar café, meu filho?
- Não dá tempo, dona Catarina. Lá no parque procuro algo para comer. Obrigado pela oferta.
- Por nada.
E o rapaz saiu, correndo como um louco, com o objetivo de chegar ao ponto de ônibus o mais depressa possível. Quando finalizou a viagem, estava bastante ofegante e suado, por conta do calor, parecia que ia passar mal. Procurou Marina, mas esta não estava no local. Cadê a doida?, se perguntou. Olhou ao redor, não viu a garota nem ninguém parecido com ela. Pra falar a verdade não havia ninguém além dele no ponto de ônibus. Não sabia mais o que fazer, quando avistou uma jovem magrinha dobrando a esquina e indo em direção ao ponto de ônibus. Era Marina. Estava trazendo nas mãos um biscoito e um refrigerante, caminhava em direção ao ponto, com um ar totalmente despreocupado.
- Ah, aí está você! Vim correndo que nem um louco atrás de você.
- Eu sabia que viria. Você não é louco de deixar eu ir para as partes sozinha.
- É, isso é verdade. E aí?
- E aí o quê?
- Que horas o ônibus passa?
- Não vai passar ônibus.- disse calmamente a garota, sem olhar para Fabrício que, olhando fixamente para ela, não falava nada. Por fim o moço falou:
- E a gente vai de quer?
- A gente não vai mais, só de tarde.
- Como é que é? Que história é essa? Você não queria ir agora? Fez um escândalo...
- O balconista do mercadinho me disse que o veículo está quebrado. Já era para ele ter passado há muito tempo.
- Quer dizer que a gente não vai agora, só de tarde?
- Exatamente, só de tarde.
Fabrício ficou novamente olhando Marina, sem falar nada. Em seguida surtou e, como se fosse um louco, foi para o meio da rua e começo a resmungar, se debater, a mover os braços e pernas, como se estivesse irritado, muito irritado. E era pra ficar irritado mesmo. Contra a sua vontade, foi forçado a se preparar, precipitadamente, para um passeio e, no final das contas, não adiantou nada.

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