sábado, 27 de fevereiro de 2016

O encontro no pomar




Adriana acabou de se mudar para o interior, junto com seus pais. É um condado daqueles bastante simples, com bucólicas casas(típicas do campo), pomares, plantações, árvores, flores, animais, estábulos, currais, chiqueiros, galinheiros, entre outras coisas que dizem respeito ao interior. Adriana sempre gostou dessas coisas de roça, mas apenas quando elas estavam bem distantes dela. De vez em quando assistia programas rurais, gostava de ver as produções, os animais, principalmente os filhotes. Adorava os porquinhos e cabritinhos, além da ovelhinhas. Uma ou duas vezes por ano visitava junto com os pais, a casa dos tios. Achava o interior um lugar bonito, confortável, discreto e sossegado. Era um lugar ótimo para passar uma temporada de férias. Agora, para morar, a garota detestava. Dizia que nunca iria morar no interior. Falava isso seriamente, pra todo mundo ouvir. Preferia morrer do que morar naquele tipo de terra, chamado por ela de fim de mundo. Entretanto, no dia em que seus pais entraram no seu quarto, lhe informando que seriam obrigados a se mudar para a roça, porque as contas estava aumentando e aparecendo a cada mês, então a única solução era todos irem morar em uma região mais simples, que não exige muito dinheiro na carteira, Adriana derreteu-se em lágrimas.

- Por favor, pai! Eu não quero ir pra lá, vê se dá um jeito, você sempre conseguiu fazer isso- a garota disse, aos berros.
- Mas dessa vez não tem jeito, Adriana. Ou a gente se muda para o interior, ou a gente vai ter que passar grandes dificuldades.
- Pois eu não vou!
- Pois então arranje um trabalho e se sustente. Alugue um casa...
Apesar de ser maior de idade, 18, Adriana não estava interessada em trabalho ainda. Queria dedicar boa parte de seu tempo livre aos estudos e leitura, queria ser psicóloga. Por conta disso, ela disse:
- Não!
O pai não sabia o que dizer, a jovem percebeu e falou:
- Eu poderia morar na casa de alguma colega, a Patrícia, por exemplo.
- Filha temos que cortar despesas o mais depressa possível. Você consegue entender isso? Não posso pagar pessoas pra tomar de conta de você.
- Sim, infelizmente...
- Então venha com a gente, essa parece ser sua única opção, filha. Anda, comece a arrumar suas coisas e se prepare para a mudança.
Foi justamente isso que fez. Contra sua vontade, mas vendo que era sua única opção, arrumou suas coisas em algumas bagagens. Seus livros foram o que ocuparam mais espaço. Foram quatro caixas. Dias depois a mudança foi realizada. Saíram de tarde e chegaram no interior horas depois, no mesmo dia, à tardinha, cerca de uma hora antes do pôr do Sol. Tiveram que trabalhar bastante, eram muitas coisas para limpar, alocar, organizar enfeitar e, depois de horas e horas de muito trabalho e suor, por fim, a casa estava basicamente arrumada. foram dormir um pouco antes das onze, totalmente cansados. Não tinham como pagar alguém para ajudar. Então tiveram que arregaçar as mangas.
No dia seguinte, Adriana acordou bem tarde, com uma dor de cabeça não muito forte, mas que a incomodava. Deixava ela indisposta e estressada com qualquer coisa que não tivesse interesse como, por exemplo, fazer os serviços de casa.
- Você vai ter que se acostumar com isso, filha. Vai ter que me ajudar na casa. Não está mais no bem bom. Tem muito serviço pra fazer, a casa e o terreno são bastante grandes.
- Ah, mãe, não me enche. Estou num daqueles dias horríveis.
Adriana necessitou de cerca de dois meses para destruir dentro de si aquela tristeza e saudade do antigo bairro onde morava. Ainda continuava chata, principalmente com os pais e com as pessoas que moravam ali. Não tinha ninguém ali que se parecia com ela. "Aqui parece que ninguém estuda, nem ler, só trabalha no campo", pensou. Ainda vou dar um jeito de me mudar daqui.
Certa manhã, andando pelo pomar, a procura de algumas acerolas, que deveriam ser colhidas, por ordem do mãe, Adriana estava bastante concentrada no seu serviço("Queria me ver livre desse trabalho o mais depressa possível, quero ficar em casa", pensava) e, de repente,, foi incomodada por um jovem que, desde o dia em que chegou, nunca tinha visto naquela região. Era um rapaz muito belo, achava Adriana. Era bonito, atraente, sexy, corpo bonito(tinha músculos), e se vestia bem. Parecia ser mais velho do que ela, uns 20 anos, mais ou menos. Sua roupa era diferente dos outros moradores do condado, pois era mais estilosa, de marca, com pano bom. Parecia que não morava ali.
- Bom dia, moça- disse o rapaz, a garota achou a voz dele bonita. Parecia ter um bom vocabulário.
- Bom dia- não sabia o que acrescentar.
- Está colhendo acerolas?
- Exatamente.
- Sabe quais as adequadas para a colheita?
- As que estão maduras?
Ele começou a rir, depois disse:
- Meu Deus, que pergunta idiota!
- Que nada, eu é que gosto de fazer piada- mentiu a jovem, para ser educada.
- Foi muito engraçado. Olha, precisa de ajuda?
- Não precisa se incomodar.
- Não, de jeito nenhum. Você está muito arrumada, pode se sujar toda. Tem muito inseto, aí.
Adriana deixou que ele a ajudasse. Estava gostando da presença do rapaz. Achava ele interessante.
- Você não é daqui, ou é?- perguntou a moça.
- Sou sim, por quê?
- Seu estilo de se vestir é diferente, parece ser de fora.
- Não, é que eu gosto de me vestir bem arrumado, sabe? Os homens daqui tem um pouco de inveja minha, acham que sou um playboyzinho.
- Não deve ligar para isso.
- Eu não ligo, não. Mas, e você, é daqui ou não é? Sua roupa é diferente das outras garotas.
- Eu me mudei para cá a cerca de dois meses.
- Ah, sim! Tinha ouvido falar de novos moradores no condado. Está gostando?
- Mais ou menos.
- Acho que não está gostando.
- Por que?
- Você é uma jovem que saiu da cidade para morar no interior, isso é natural.
- É. É natural mesmo.
- Os dois começaram a rir.
- Você gosta do John Green?
- Gosto sim, conhece?
- Mas é claro que conheço! Sou fã dos seus livros. Tenho todos eles. Já li todos. Os meus preferidos são Cidades de Papel, Quem é Você, Alasca? e o clássico: A Culpa é das Estrelas.- falou o jovem, muito empolgado.
"Alguém que gosta de ler, graças a Deus!", pensou.
- Também sou apaixonada por esses livros. Tenho todos eles lá no meu quarto, também tenho livros de outros autores. É tipo uma biblioteca.- Disse Adriana, interessada ainda mais no garoto.
- Eu também. Tenho livros de vampirismo, amor, ficção, não-ficção... a lista é grande. Que tal se algum dia você pudesse conhecer?
- Seria ótimo. Poderíamos compartilhar alguns livros e assuntos, conhecimentos, sei lá. 
- Quero te conhecer melhor. Gostei de você. Parece bastante culta.
- Digo o mesmo sobre você.
- Acho que eu sei exatamente onde você mora, poderia passar lá? Quero te apresentar para os meus pais.- Nossa!, pensou a garota.
- Mas é claro.
- Pois está bem, está marcado. Apareço lá à tarde, pode ser?
- Pode.
Os dois ficaram alguns segundos ali, olhando um para o outro, sem saber o que dizer. Por fim, o rapaz perguntou:
- Eu lhe perguntei seu nome? Eu acho que me esqueci.
- Não esqueceu, não. Você não me perguntou. Meu nome é Adriana. E o seu?
- Henrique.
Ficaram novamente se olhando, por alguns segundos, sem saber o que dizer um ao outro. Novamente Henrique puxou a linha da conversa:
- Então... vamos pegar as acerolas?
- Ah, mas é claro! Tinha até me esquecido delas!
E os dois ficaram ali no pomar, colhendo acerolas, daquelas bem vermelhinhas, para a mãe de Adriana. Os jovens pareciam um pouco tímidos agora. Ambos pareciam está apaixonados um pelo outro. Adriana começou a se interessar pelo interior.

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