sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Como é bom ter amigos




Luanna é uma garota linda, lindíssima. É daquele tipo de menina que, quando passa na rua, todo mundo fica olhando. Chama bastante atenção. Uma menina de família. Adorada, respeitada e admirada por todo mundo. É viciada em leitura, sua maior paixão e ocupação. Se você pergunta-la sobre qual o melhor hobby existente, Luanna simplesmente vai dizer que a leitura é o mais importante. O mais importante de tudo. Apesar de fazer faculdade (de Letras), dedica-se mais tempo à leitura do que às apostilas do curso. Gosta de ler de tudo. Romance que fala de amor, de sexo, de suspense, de terror, de guerra, de jornal, de... bem, a lista é bastante numerosa.
Não gosta de namorar. Isso, segundo suas amigas, é o seu maior defeito. A quantidade de garotos (e garotas!) interessados na loirinha é proporcional às categorias de livros que a jovem devorou, devora e pretende devorar. São tantos que, se um dia ela decidir participar daqueles programas de televisão que arranjam um companheiro (a) para o participante, Luanna terá uma fila enorme de candidatos a sua disposição. Apesar de saber que é tão admirada e desejada assim, prefere ficar sozinha. As amigas, que a amam demais, acham que ela deve ter algum tipo de problema. A garota tem a mania de ficar sozinha o tempo todo. Quer dizer, só de vez em quando, como a jovem diz. Solidão é uma outra característica de Luanna. Ninguém percebe isso porque a solidão é uma coisa que fica dentro do peito e, se a pessoa não quer que ninguém perceba, então ninguém vai perceber. Luanna não quer que ninguém saiba de sua solidão, então ninguém vai perceber. Ora bolas, a loirinha tem esse direito, não é? Mariana, uma de suas melhores amigas, não gosta desce tipo de comportamento fechado da Lulu, como a chama. Certo dia, tinha acabado de chegar à casa da Luanna e, assim que entrou no quarto, flagrou esta deitada na cama, com uma cara de visitante de velório. Mariana estranhou o jeito da moça, que estava agarrada grosseiramente ao travesseiro. Perguntou o que a amiga tinha, mas não ouve resposta, apenas uma olhada, depois virou a cara para o travesseiro, como se estivesse sentido o cheiro dele. A amiga foi para a cama e se sentou nesta, bem na beirada. Colocou a mão sobre a cabeça da loirinha, que não gosta de ser chamada assim, e ficou acariciando o cabelo da menina, ao mesmo tempo em que tentava motivar e animar a jovem. Chamo Luanna de menina por conta de seu jeito tímido, reservado e quieto, por que na verdade, a garota tem 19 anos, com uma aparência de uma menininha linda e maturidade de mulher adulta. Essa maturidade é resultado das horas e horas dedicadas à leitura que, como já dito antes, é sua maior paixão.
A menina não responde aos carinhos da amiga. Fica o tempo todo assim, calada e desmotivada. Mariana começa a se preocupar. É claro que já estava acostumada com o comportamento de Luanna mas, com o passar das semanas, percebia que sua melhor amiga piorava, principalmente depois que Luanna andou lendo uns livros esquisitos e não destinados a ela. Não sabia o que fazer para ajuda-la. Com a ajuda e o apoio dos pais da jovem, Mari, como é chamada por todo mundo, inclusive por Luanna, que inventou o apelido, tentou contratar um psicólogo ou psicóloga para descobrir o problema da loirinha. Esta não quis ir a uma clínica, estava com medo. Tinha um pavor enorme de entrar no consultório e, depois, ouvir o doutor lhe dizer que ela ou era uma maluca que deveria ser internada em um hospício, ou que estava muito doente e poderia perder a vida a qualquer momento. Luanna tinha muito medo de morrer. Pra falar a verdade, tinha medo de ser assassinada. Preferia causar sua própria morte do que sofrer e depois perecer  por um motivo chulo. O suicídio não saía da cabeça dela. Não sabia porque isso acontecia. Já tinha ouvido falar em depressão, e lido muito sobre isso. Em alguns dos livros que leu, aprendeu algumas coisas sobre medicina psiquiátrica. Leu também alguns estudos do Freud, que descreviam casos de pacientes com transtornos mentais, alguns leves, outros graves. Em um desses diagnósticos, a jovem viu que tinha muita coisa em comum com uma das pacientes do psicanalista e autor do livro. Ficou apavorada. Começou a se isolar mais ainda. Ficava enfurnada o dia todo dentro do seu quartinho. Ah... que belo quartinho. Foi ela quem decorou. Com o dinheiro da mesada, comprou as tintas e pintou as paredes. Com alguns bregueços e coisas achados por aí, decorou o quarto. No final, estava tudo muito lindo, muito bem arrumado e organizado. Tinha flores e muita cor. É até espantoso saber que quem dorme nesse alegre quarto é uma garota bastante triste. Uma jovem com tantos amigos mas que se comporta como se não tivesse nenhum. É tão chato relatar isso, mas, nos dias posteriores aqueles em que começou a fazer pesquisas em compêndios psiquiátricos, a jovem planejou fazer um mal a si mesma. Queria se matar. Tirar a própria vida. Descarta-la por aí, como se fosse um lixo. Era isso que sua vida representava agora, um lixo que deveria ser jogado fora. Tinha comprado os remédios, pois a estratégia seria se matar por meio de overdose, ou seja, através da ingestão de muitos remédios. Estava se preparando para toma-los, quando escutou uma batida na porta: era a Mariana, a Mari, que tinha ido a sua casa para fazer uma visita de amiga. Assim que escutou a batida, Luanna escondeu, toda nervosa, o remédio sob o travesseiro e se deitou na cama, agarrada neste, para que a amiga não desconfiasse de nada. E não desconfiou mesmo. No início estranhou um pouco, mas não fez nada. Conversou, conversou... fez perguntas à Luanna e, depois de alguns minutos de motivação, foi-se embora: ia se arrumar para ir a uma festa da hora. A loirinha ficou novamente só. Sozinha com seus pensamentos. A força de vontade para cometer o suicídio tinha, não esvaído, mas diminuído de nível. Estava mais alegre, mais disposta. Aquela tristeza que estava prestes a levar a garota à morte estava dando lugar a uma autoestima. Pegou o remédio escondido sob o travesseiro e jogou-o no cesto de lixo, lá no fundo. Depois rasgou alguns papéis, riscados e limpos, e colocou-os propositalmente por cima do frasco de vidro. Queria esconde-lo bem escondido, para que, quando a mãe fosse colocar o lixo lá fora, não corresse o risco de ser descoberto. Imagine só a confusão que isso causaria!
Assim que terminou de esconder o remédio do mal, Luanna pegou o celular e ligou para a mãe, queria que marcasse uma consulta com aquele psicólogo. Já estava na hora, não é? Depois da ligação, a loirinha contatou pelo Whatsapp sua amiga, Mariana, que tinha saído a poucos minutos: queria ir para a festa com ela. Mari ficou morta de feliz por ela ter se animado, iria primeiro conversar com a pessoa que a convidou para a festa e, se ela deixasse, levaria Luanna. Caso contrário, havia uma balada rolando lá no centro da cidade e elas poderiam ir juntas. Mari, por fim, conseguiu dar um jeito de levar Luanna à primeira festa. Disse que estava aí, novamente no quarto de Lulu, daí a cerca de meia hora, mais ou menos. Depois disso, Luanna, já muito animada, foi se arrumar para ir a uma festa com sua melhor amiga. Ah... como é bom ter amigos...

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