quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A culpa não é minha




Caroline acabou de terminar um relacionamento de dois anos com o namorado. Não queria ter feito isso. Mas foi ela quem encerrou o namoro com um jovem que, para muitas de suas amigas, é um príncipe encantado. A garota também o considerava um príncipe encantado, no início. No começo é sempre assim: você se apaixona por um cara que demonstra ter todas as qualidades que você procura em um homem. A morena estava à caça de um garoto da mesma idade dela, 20 anos, que fosse engraçado, brincalhão, cheio de amigos, um pouco bagunceiro, um pouco quieto, que gostasse de se divertir e que, ao mesmo tempo, fosse admirado por outras pessoas, principalmente pelos amigos e amigas de Caroline. Não conhecia ninguém com essas qualidades, apenas o Caio, que seria o seu primeiro namorado.

As garotas se amarravam nele. A jovem o conheceu na faculdade, estavam frequentando a mesma sala de aula do curso de Fisioterapia. Achou-o bastante inteligente e esforçado. Falava com os professores com se tivesse intimidade com eles. Os docentes gostavam de Caio. O considerava o cara do curso. Pra falar a verdade, todo mundo da universidade o chamavam de Caio, o cara do curso. Caroline também o chamava assim, e adorava fazer isso. Quando o via na instituição, ela falava: "esse é o Caio, o meu cara do curso". Ele não dava muita bola. Sorria, é claro, mas sorria por educação. Não sabia que aquela gata era doida por ele. Só foi saber disso no dia da festa para comemorar os cinco anos de aniversário do curso.
Caio estava saindo da festa e indo para casa, depois de uma noitada legal, com muito beijo na boca e pegação, mas não teve transa. A segurança da instituição estava de olhos bem abertos para evitar sexo entre estudantes no interior da faculdade. Por conta disso, e sabendo muito bem que não ia rolar nada ali dentro, o jovem decidiu voltar para casa, sozinho. Quando entrou no estacionamento, Caio viu aquela que seria sua namorada por dois anos, a Caroline. Estava bem arrumada e sexy. Olhava para ele de modo sensual e charmoso. Queria atrair o rapaz, e conseguiu. Caio perguntou apenas se ela o estava esperando. Caroline disse que sim, " estou te esperando, quero ficar contigo hoje e sempre. Quero que você me leve pra tua casa, pra tua cama" Caio ficou sem reação. Sempre achou Caroline bonita, sensual e gostosa. Todos os homens achavam. Mas, apesar disso, nunca paquerou a moça, por pensar que seria difícil pegar. Agora estava ali, prestes a ter um rolo com a jovem, da forma mais fácil do mundo. Pediu que ela entrasse no carro, a estudante entrou e os dois foram para o apartamento dele, pois o jovem não morava com os pais, que moravam em outra cidade. Chegando lá, o casal nem bateram muito papo, foram logo pra cama. Caroline era virgem, isso fez com que futuro fisioterapeuta sentisse ainda mais atração pela gata, pois pensava que ela era só dele. Foi assim que o relacionamento começou.
Agora lá está Caroline, sentada no chão de um planalto, em pleno pôr do Sol. Não está deprimida, nunca esteve. Está apenas um pouco decepcionada. Decepcionada em relação às novas atitudes manifestadas por Caio, o cara que ela achava ser o homem de toda a sua vida. Seria, se ele não tivesse mudado. O estudante mudou de temperamento. Nesses dois anos de namoro, o rapaz adquiriu uma agressividade, estresse e ignorância, além de ter ficado ciumento. Caroline não pode mais se vestir de modo fashion, como gosta de fazer, pois ele reclama. Não pode andar de short na rua, pois ele reclama. Não pode usar calça muito apertada, pois ele reclama. Com o short é do mesmo jeito. Saia em cima do joelho? Humm, nem se fala. Mesmo sabendo que a futura fisioterapeuta usa um short por baixo, ele reclama. Caroline diz pra suas amigas que ele se tornou um chato. Até na cama é chato. Só quer saber do prazer dele. Trata ela como se fosse uma puta, vagabunda e ordinária, que só serve para dar o caneco pra ele. A estudante não quer saber mais de Caio, e já falou isso na cara dele. O rapaz ainda insiste no relacionamento, "foi você que quis namorar comigo, sua vaca desgraçada!", é o que o jovem sempre diz. Teve um vez que a garota chorou, quando o ignorante disse isso por telefone. O choro foi o que deu coragem para que a morena tivesse a ousadia de preparar uma fuga daquela cidade, pra ficar o mais longe possível dele. A garota morre de medo de acontecer com ela o que já aconteceu com outras jovens, que foram maltratadas e/ou assassinadas pelo ex-namorado, que não queria o fim do relacionamento. Decidiu, então, fugir. Pediu o cancelamento do curso, conseguiu uma outra vaga no curso de Fisioterapia em uma outra universidade de uma outra cidade e se preparou para sair daquele mundo que só lhe deu desgosto ultimamente, tudo às escondidas. Vai embora amanhã e, para se despedir do lugar, foi fazer um passeio pelo parque ambiental, se perguntando o porque de ter terminado desse jeito.

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