quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Sozinha na praça



Andando pela rua, avisto uma mulher que me chama bastante atenção. Pele clara, do tipo de pele alemã ou sueca, cabelos castanhos e um corpo bastante esbelto, vestido em um look totalmente preto, inclusive a bolsa, que parece ser de marca famosa, é aquele tipo de mulher que atrai qualquer homem, isto é, não somente homem mas também mulheres que gostam de mulheres, mulheres que gostam de homens e mulheres e homens que gostam de homens e mulheres. No momento que a vejo, ela caminha calmamente, indo em direção à praça mais famosa da cidade. Praça esta que, durante o dia, é bastante segura e recomendada para praticar um passeio. Entretanto, naquele horário, depois das onze horas da noite, é muito perigosa a travessia no local. Fico desconfiado, confesso. O que é que uma mulher belíssima como aquela está fazendo ali, andando pela praça, justamente às onze da noite?
Se a mulher está sozinha? É isso que você deve está se perguntando? Pois a resposta é sim. Sim, ela caminha sozinha pelo lugar. É um perigo não acha? Não posso ver uma mulher andando sozinha em local perigoso que fico todo me sentindo mal, confesso a ti, caro leitor. Tenho que fazer outras coisas. Acabei de sair do trabalho. Sou vigilante, se você quer saber. Trabalho em uma loja que vende roupas, sapatos e outros produtos fashion que dão ao comprador e/ou cliente um maior estilo quando anda em festas e eventos. Passei praticamente o dia inteiro vigiando e fiscalizando os produtos, funcionários e a clientela. Para fazer esse tipo de serviço, é obrigação minha andar armado na loja. Quando acaba o meu expediente, saio com tudo que trazia quando entrei, ou seja: roupas, acessórios e ferramentas de segurança, como a arma, por exemplo. Isso mesmo, querido leitor, estou armado justamente no momento em que fico abismado em ver uma linda e sensual mulher andando por uma praça escura, silenciosa, mal protegida e cheia de vanda-los, maconheiros e drogados. Meu instinto profissional não permite e, muito menos, admite que o segurança aqui fique parado só olhando. Não, não ,não... Eu tenho que agir. Tenho que fazer alguma coisa. É isso que vou fazer agora.
Apresso mais a minha caminhada e tento alcançar a mulher. Ela nem percebe que a estou seguindo. Parece, aliás, que está no mundo da lua. Bêbada, drogada... Sei lá. Não sei definir o temperamento e o comportamento daquela musa que aparenta ter uns vinte e cinco a trinta anos de idade. De onde a vejo (estou por trás de uma árvore bem alta, agora), observo que musa está bastante calma. Olho ao meu redor e, depois, ao redor da praça, a procura de alguém. Talvez uma pessoa suspeita ou não de ser criminoso ou bandido. Não avisto ninguém na área. Fico novamente me sentindo mal. Estamos sozinhos no local. Estou atrasado, minha mulher está me esperando. Tenho que chegar o mais depressa possível para curtir durante um bom tempo a minha esposa. Depois tenho que dormir, para acordar cedo e aproveitar o máximo meu primeiro dos três dias de folga que tenho na semana, com meus filhos e o grande amor da minha vida. O que eu faço? Vou embora e deixo a mulher ali, correndo perigo? Vou até onde ela está, para conversar e aconselha-la a não ficar ali e ir embora para casa ou a um lugar mais seguro que aquele? Ou fico ali, durantes horas e horas, vigiando a mulher? Há também a opção de contatar a polícia e informar-la sobre o caso. Provavelmente chegariam a tempo e tiraria a moça do lugar. E se ela estivesse drogada ou portando algum tipo de droga? Estou confuso. O que eu faço, meu Deus? Já sei, vou até lá e puxar conversa. Onde ela está? Cadê a mulher, meu Deus? Ela estava bem ali, parada. Cadê ela? Minha nossa senhora... Ah... Ali está ela, agora deitada no banco da praça. Muito bonito... Já não bastava ficar passeando por uma praça perigosa. Agora, com a maior pose, se deita no banco. Deve ser uma mulher muito corajosa para fazer aquilo, justamente naquele horário. Ou então, deve ter muita falta de inteligência e do que fazer para se deitar naquele lugar como se estivesse na mesma praça, só que em um horário do dia. É... já passou da hora de eu ir até lá e dar uns conselhos bem severos àquela mulher. Caminho, caminho e caminho. Quando, por fim, estou bem próximo dela, a moça reage como se tivesse escutado uma coisa. Foi a buzina de uma carro que ela ouviu. Sei disso porque eu também escutei o som. Veio de um automóvel cor branca. Não identifiquei a marca. Não sou muito bom para essas coisas. Como você deve ter percebido, eu me desloco a pé por diferentes locais. Quando não a pé, de ônibus. O ordenado é muito pouco pra comprar um carro. Futuramente vou estar pilotando uma moto por aí. Já estou há uns dois anos pagando concessionária. Se Deus quiser vou ter a minha moto. Uma moto só minha. De moto eu sei de muita coisa. Agora de carro... hum... não sei de nada, pra ser sincero. Conheço muito mais a moto do que o carro. Por isso não consegui dizer que marca era aquele veículo. Entretanto, tenho certeza que é um automóvel de gente fina. E aquela mulher tem aparência de ser da classe da gente fina. A beleza, o estilo da roupa e os acessórios entregam de que classe é. A mulher deve conhecer o veículo e, também, quem o está dirigindo pois, depois que escuta a buzina e fica observando a carro, a moça se levanta e caminha apressadamente ao automóvel. Chegando nele, abre a porta do carona, como se fosse a dona ou conhecida do carro, e adentra neste. Depois de alguns segundos o carro dá sinal de que vai andar e sai do local. Não consegui identificar o motorista. Quer dizer, identificar se era um homem ou uma mulher, ou idoso ou idosa, ou um jovem ou uma jovem. Se tinha apenas o motorista antes da dama de preto entrar, ou se tinha mais pessoas lá dentro do veículo. Não sei dizer, nem afirmar nada. Só consigo lhe informar, caro leitor, que, depois que aquele carro foi embora, levando a linda mulher, segui meu rumo para casa. Queria muito ver minha esposa e dar um beijo de "boa noite e durma bem" atrasado em minhas filhas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu Blog · Design por Alves Alvin · Todos os direitos reservados - Copyright © 2014 · Tecnologia do Blogger