terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Seu João




Sentado em uma das cabines de uma Lan House- uma espécie de locadora na qual você pode acessar a internet em um computador, desde que pague, é claro- João acessa um de seus sites preferidos de pornografia. Conteúdos pornográficos são os melhores tipos de textos que uma pessoa pode ler, de acordo com João. Apesar de não trabalhar, nem de nunca ter trabalhado, desembolsa cerca de 10 a 20 reais por dia, só para gastar na Lan House. Passa cerca de cinco a oito horas por dia ali, sentado na frente do computador, desconfortavelmente acomodado no assento da cadeira. Não está nem aí para as possíveis dores na coluna. Só quer saber de pornografia.
João é um idoso aposentado de cerca de 65 anos. Negro, calvo e bastante calado, Seu João, como gosta de ser chamado, poderia muito bem comprar um notebook, para ver, com exclusividade e durante um bom tempo, seu material pornográfico favorito: mulheres que tem peles claras. Entretanto, seu salário mínimo recebido em todo o começo de mês, não dá para comprar o aparelho. Tem muitas outras coisas para  esse aposentado, que mora sozinho, pagar. Contas, alimentação, bebidas, cigarros, vestuário e, claro, as prostitutas. A maior parte do pouco dinheiro que recebe é gasta com elas, precisamente mais da metade do ordenado. Não é raro o velhinho deixar comprar e pagar coisas indispensáveis como, respectivamente, comida  e contas, para gastar com a farra. Sua vizinhança morre de pena do pobre seu João. Segundo ela, tem dias que o pobre senhor chega a pedir um mísero prato de comida para não passar mais um dia com fome. Os vizinhos o ajudam. Ajudam porque não sabem que é seu João. Ou melhor dizendo, ninguém sabe que a aposentadoria do velhinho daria a este uma boa e confortável vida básica e simples, se não fosse os gastos com prostitutas e bebidas. Ninguém sabe que Seu João é desses tipos de homens que são secos e insaciáveis quando o assunto é sexo. Todo mundo acha seu João um santo.
Isso acontece porque o velhinho sabe muito bem disfarçar suas presepadas. Acorda cedo, muito cedo, pega o ônibus e parte todo o santo dia para a cidade. Esta, por sua vez, é bastante bem estruturada e, para o idoso, é o lugar perfeito para ter aquele tipo de vida que ele mais gosta, uma vida repleta de muito sexo e bebedeira.
Na cidade, não perde tempo. Parte para o botequim mais próximo do local onde chega e vai tomar uma. O barzinho é repleto de prostitutas. Um mais feia que a outra. Para seu João isso não é um problema. Não liga para beleza, apenas para o órgão genital da mulher.
Chega, pede uma bebida e pergunta ao balconista se uma daquelas oferecidas está rodando bolsinha hoje. O homem do balcão diz que sim. Socorro, Josefina, Nazaré e Antônia são as que estão disponíveis. "Marca com a Antônia pra mim já, Cláudio", diz o idoso. O balconista não perde tempo e, sabendo muito bem do quanto que seu João é capaz de gastar com mulheres e bebidas, sai correndo em disparada à procura da prostituta. Depois de uns minutos ela aparece, toda fogosa e cheia de vontade de ganhar umas gorjetas do velhinho." Porque que você não vem pro quarto me agarrando, seu João?", pergunta a prostituta Antônia. O cliente número um não perde tempo e, mesmo sabendo da presença de pessoas no local, agarra a mulher pela cintura e sai puxando-a pelo corredor adentro. Entrando no quarto, seu João se comporta como se não tivesse feito sexo, não no dia anterior, como tinha feito, mas a umas três décadas. Rapidamente vai passando a mão entre as partes intimas da mulher e começa a sussurrar obscenidades a ela. A prostituta, já acostumada com o trabalho e também com o comportamento do idoso, finge que está louca de tesão pelo velho. É uma boa atriz, a mulher. Poderia até levar o óscar de melhor atriz pornográfica. A mulher tira a roupa, fazendo aquele Strip tease que qualquer homem ficaria morto de tesão por ela que, para ser sincero, não é lá essas coisas. Tanto homem como mulher chamariam-na de baranga, pois é a melhor definição que cabe à prostituta. Mas, continuando, a mulher tira a roupa e depois vai para a cama na qual seu João está deitado, pronto para o trabalho. O velho prefere não fazer nada, afinal, ele é o cliente, e paga muito bem, diga-se de passagem. A prostituta, então, sobe na cama e, sentando-se sobre o idoso, começa a fazer seu trabalho. É um trabalho bastante fácil para a mulher pois, pela idade e falta de energia do velho, em menos de quinze minutos ele já não aguenta e se satisfaz com aquela posição da Antônia, a de cócoras. Antônia, no começo em que iniciou o envolvimento com seu João, sentia grande repulsa por este. Ficava tão nojada que chegava a vomitar depois da sessão de sexo. Entretanto, com as frequentes trepadas com o aposentado ela acabou se acostumando. Se adaptou aquele corpo de pele rugosa, frágil, sebosa e fedorenta. E ainda com um órgão genital apelidado por ela de "pinto feio" e/ou "múmia de pinto".
Terminada a sessão de prazer, seu João sai do pequeno bordel, depois de tomar mais uma dose de cachaça. Chegando na calçada do estabelecimento o homem para, abre a carteira e olha quanto ainda tem de dinheiro. Ainda tem duzentos reais. É um dinheiro que daria para fazer muita coisa, se você fosse disciplinado com a economia. Entretanto, o velho José não é alfabetizado na área. Por isso, pega um táxi e parte para a Lan House mais próxima dali, para ver seus sites pornográficos prediletos.

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