sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O dia depois do casamento



Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Quer dizer, o segundo. O primeiro foi ontem. Foi o dia do meu casamento. Para toda e qualquer mulher, o casamento é um verdadeiro sonho que um dia tem que ser realizado. Flores, igreja, festa, banda para animar, vestido, os padrinhos, meu pai me levando até o altar. Isso é apenas um pequeno pedaço do que, nós mulheres, esperamos do casamento dos nossos sonhos.
A idade para se casar segue um padrão rigoroso. É muito raro uma garota de apenas 16 anos ir para o altar. Geralmente isso acontece numa crisma ou catecismo, para as católicas. O motivo é bem simples: as críticas sociais, o pessimismo por parte de amigos e parentes, entre outros. Não dei bola para isso. Me casei com 16 anos com o meu primeiro namorado. Os meus pais me apoiaram. Tenho os melhores pais do mundo.
O namorado, que agora é mau marido, se chama André. É bem mais velho do que eu. Tem vinte anos de idade e uma boa experiência no que diz respeito não apenas a relacionamento, mas também na vida pessoal, profissional e sexual. Teve várias garotas, poderia ter continuado com esse mesmo tipo de vida agora, mas se apaixonou por mim. Eu tenho culpa? Não, acho que não.
Nos conhecemos em uma festinha de uma amiga nossa, Catarina, que ontem foi nossa madrinha de casamento. A Catarina só pode ser mesmo maluca. Assim que cheguei na local daquela festa, na casa dela, a doida já foi logo me atirando para os braços do André. Fiquei toda sem jeito. Falei isso pra ela ontem no casamento, quando estávamos dialogando sobre a dita festa. Ela me disse que naquele dia tinha feito isso porque todas as suas amigas estavam muito bem acompanhadas. Não queria que eu ficasse chamando a atenção de todo mundo. O André, por coincidência era o único homem disponível. Havia o Sandro, o Breno e o Tiago livres no ambiente, mas eram gays.
- Patrícia?- perguntou meu marido, me acordando de meu devaneios. Ele estava na porta da nossa mais nova casa, dada a nós de presente pelo meu sogro.
- Sim?- respondi.
- Você vai se levantar agora?
- Hã... não sei. Está tão gostoso aqui. Porquê?
- Preparei o nosso café da manhã?
- Sério?- perguntei, achando aquilo inacreditável. Não sabia que André sabia cozinhar.
- Sério.
- Não sabia que você sabia cozinhar?
- Eu também não. Mas pesquisei na internet uma receita básica de café da manhã e decidi tentar. Deu tudo certo.
- Tá bom. Quero só ver. Já estou me levantando. Vou primeiro tomar um banho e, depois, vou saborear esse seu café da manhã e, depois, saborear você de novo.
- Tá bom.- disse André, saindo do quarto e indo novamente para a cozinha. Ele sempre foi assim, calmo. Me sinto totalmente disposta a me levantar agora, graças ao seu jeito de falar comigo. Ele é educado, sincero, alegre, brincalhão, esforçado mas nunca chato, ignorante, agressivo e vulgar. É o tipo de homem que sempre sonhei em me relacionar. Fico me perguntando: como é que ele pode ser assim tão... completo? Não sei a resposta. André é aquele tipo de homem que as mulheres chamam de Adônis, por possuir múltiplas qualidades e habilidades. O sexo é uma delas. Minha primeira transa foi inesquecível. Para mim e para ele. Eu perdi a minha virgindade e meu marido tirou a minha. Foi tão massa. Uma verdadeira noite de núpcias. Com direito a ser carregada nos braços do meu príncipe. O que não deve ter sido difícil para André, afinal, peso apenas 50 kg.
Confesso que fiquei um pouco nervosa nos primeiros instantes em que ficamos um próximo ao outro, totalmente nus. Era a minha primeira vez. A dele com certeza não era. André sempre fazia sucesso com as garotas. Tinha transado com várias. Comigo ainda não. Ele concordou em só fazer amor comigo depois do casamento. Achei isso muito romântico da parte dele. As minha amigas brincavam comigo, dizendo que ele só aceitou se casar comigo, assim tão jovem, porque estava louco para me saborear e que depois iriamos se separar. Parece até verdade. Mas conheço, André, e minhas amigas também. Não tem esse temperamento. Bom, mas, continuando...
- Patrícia?- perguntou meu marido, novamente na porta do quarto.
- Oi.
-Você não vêm?
- Pra onde?
- Ora o quê, tomar seu café. Já está esfriando.
- Ai, minha nossa! Já tinha me esquecido!
- O que você tem hoje?
- Hã?
- Você está esquisita.
- Esquisita como?
- Está muito pensativa, amor. Nunca te vi assim. Aconteceu alguma coisa?- perguntou ele, agora se aproximando da nossa cama.
- Não aconteceu nada. Estou pensando apenas no ontem, no hoje e no amanhã.
- Está arrependida?
- Do casamento?
- É.
- Não. O nosso casamento foi a minha maior realização pessoal.
- A minha também. Te amo muito.
- Também te amo.
- Vamos, vá tomar seu banho. Não quero que você coma uma comida fria, sendo que deveria estar quente.
- Tá, ok. Já estou indo.
- Espero que esteja indo mesmo.
Ele me deu um beijo e se levantou, indo para a saída do quarto. Quando saiu, fez questão de deixar a porta aberta, queria que eu inalasse o delicioso aroma de bolo recém saído do forno que entrava no cubículo. Eu continuei ali, deitada na cama, novamente pensando no dia mais feliz da minha vida, rezando por Deus para que meu marido visse mais uma vez na nossa suíte para falar comigo com aquele seu jeito tão fofo.

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