segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Não quero mais o Caio




Não tem nada mais chato do que você terminar um relacionamento com um garoto que queria dar tudo que uma mulher sonha em ter na vida. Estou falando do amor.
O nome dele é Caio, tem a mesma idade que eu, 21 anos. Ele é romântico, popular, educado admirado, respeitado e "gente boa" para todo mundo que o conhece. Ele é daquele tipo de garoto que tem uma idade física de 21 anos, aparência de 16, comportamento de uns... não sei... 16 anos, acho, e ainda, depois disso tudo, um cérebro de um homem de 40 e poucos anos. É isso aí. Caio é um cara bastante inteligente. Faz faculdade de Medicina. Para falar a verdade está perto de se formar. Entrou quando ainda não tinha nem 17 anos. Um menino prodígio. Sempre tirava boas notas. Boas não, excelentes. É o sinônimo dele, "excelente". "Caio é um garoto excelente, minha filha. É o tipo de rapaz que merece você. Não está para brincadeiras. Tem compromisso sério, muito sério", é o que minha mãe e uma cambada de familiares dizem para mim. Incluindo aí, tios, primos, avós, o meu pai (até meu pai, que eu esperava que fosse ciumento), padrinhos, entre outros parentes que sempre me paparicaram e bajularam e, apesar de saberem que sou uma mulher adulta, querem escolher o meu destino. Ah! como eu odeio o Caio!
Não gosto dele. Quer dizer, já gostei sim, mas só no começo. Eu era bastante nova quando eu o conheci, em uma festa de aniversário de 14 anos de uma amiga minha, a Raquel que, hoje em dia, é doida por ele. Mas o idiota só quer saber de mim. Merda.
No começo foi ótimo. a gente se pegava bastante. Eu era muito beijoqueira, muito mais que ele. Geralmente o futuro médico sentia falta de ar quando eu dava uns pegas nele. Eu não gostava disso. Quem devia ficar com faltar de ar era eu, não era? Eu odiava muito essa atitude do Caio. Ficava estressada, confesso. Puta que pariu. Eu queria que ele me pegasse de jeito, passasse a mão na minha bunda, enfiasse a mão por dentro da minha calcinha e começasse a vasculhar o que tinha lá dentro, sabe? Ele era muito lerdinho. Quer dizer, lerdinho, certinho, educadinho, formalzinho... entre outros adjetivos que sou obrigada a utilizar no diminutivo para não ofender o garoto.
 Nunca tive química com ele. Cheguei a esta conclusão fazendo pequenas análises de momentos passados do nosso relacionamento chifrim. Nunca rolou aquela coisa picante, sabe? Do tipo que você tá no escurinho com seu parceiro e começar a rolar aquela sacanagem. Eu adoro sacanagem. Adoro sem-vergonhice. Com Caio nunca rolou. É isso mesmo que você deve está imaginando. Nunca transei com Caio. "Não rola agora, amor. Ainda não está na hora. E se você engravidar? Eu tenho planos para o meu futuro, e quem sabe o nosso futuro. Filhos está na lista, é claro. Entretanto eu quero decidi quando é que vou ter filhos. Eu quero agora é concluir o meu curso de Medicina, depois trabalhar, montar minha casa, casar... aí depois, quem sabe, é que eu possa fazer um filho.", era o que eu sempre escutava da boca dele quando, estando somente eu e ele, começava a provoca-lo. Falava muito, aliás. Não gostava muito de conversar com ele porque, geralmente, eu ficava parecendo uma vela acesa, com meu fogo esperando para ser apagado. Em se tratando de fogo, do meu fogo, Caio sempre soube que eu era doida por sexo. Mas o diabo não fazia nada, aquele idiota. Não sei porque fiquei tanto tempo namorando com aquele bobo, sem botar chifre naquela cabeça de jaca.
Não aguento mais ficar executando esse namoro de mentirinha. Eu não quero nada com ele. O cara não se diverte. Só quer saber de estudar, estudar e estudar. De vez em quando é que pensa em mim, mas pensa de um modo diferente. De um jeito que eu não queria que ele pensasse. Ele me trata como se eu fosse sua esposa. Porra, cara! Preferia ser mil vezes ser tratada com uma puta-cachorra do que um princesinha! Fala sério!
Você acha que eu sou triste por conta disso? Não, nem pensar. Eu me divirto, sim. Me divirto muuuuito. Mas não com ele, é claro. Já fui pra cama com vários rapazes, até com os amigos dele. Quer dizer, amigos não. Caio não é muito de fazer amizades. Só me envolvi com ele porque minha mãe me deu para ele, sabe? Se não fosse por isso, nunca teria batido nenhum papo com Caio. Mas, continuando, esses amigos do Caio que transaram comigo, na verdade são apenas conhecidos dele. Gente da escola, faculdade, sabe? Já fui pra cama com vários. Rafael, Lucas, Felipe, Bruno, Raul, Pablo... a lista é imensa e, do jeito que andam as coisas, vai ser contínua durante um longo tempo.
Não sei o que eu faço com Caio. Tenho pena do garoto. Não sei dizer qual vai ser o tamanho do baque que ele vai sentir no coração quando eu der um "pé na bunda" nele. Mas eu tenho que fazer alguma coisa, afinal. Se ele não quer por um fim nesse relacionamento, acho que a pessoa mais adepta a fazer isso sou eu, não acha? Pois é isso aí. Amanhã vou na casa de Caio e vou ter uma conversa definitiva com ele. Vou dizer que não dá mais e, que, eu quero terminar. Que eu tô afim de um outro cara (na verdade tô afim de vários caras, kkk). Que não rola e pronto. É isso que vou dizer a ele. Espero que ele entenda. Isso vai ser bom para mim e para ele. Também será bom para a Raquel, que é doida por Caio e que está também magoada comigo por não por um fim no relacionamento. Ei! Eu poderia convencer o Caio a ficar com minha amiga, que tal? Acho que ele vai gostar muito dela, afinal, os dois têm os mesmos gostos. Pois bem, seja que Deus quizer.

3 comentários:

  1. Caio é perfeito demais pra qualquer realidade, e bom, gente perfeita não existe, e se existe, é chata pra caramba. Do que adianta viver pela medicina e não fazer a vida valer a pena? Médicos que não vivem, são contraditórios ahahah Adorei o texto!
    www.katiellycosta.com

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    1. É exatamente isso que eu queria ouvir, Katielly que, por sinal, é um nome muito bonito. Hoje em dia, o pensamento feminino em relação a homens está mudando a cada momento, graças a Deus. Se você estivesse vivendo em um período no qual as mulheres não tinham "liberdade de escolha", provavelmente você receberia muitas críticas, tanto da parte das mulheres quanto dos homens. Atualmente, eu agradeço a Deus por isso, todos nós não somos obrigados a fazer aquilo que nossos pais ordenam para a nossa vida. E, como diz o ditado popular, quem vê cara não vê coração. Caio parece ser um príncipe encantado, mas, e na real? O que será que ele é, será que o jovem continuaria sendo o mesmo? Talvez sim, talvez não. Existem muitos homens por aí que se fazem de santinho, apenas para segurar a companheira. Depois que a consegue prender, aí ele mostra a sua verdadeira face. Temos que ser desconfiados, menina. Você é o exemplo da mulher moderna e contemporânea, Katielly. Muito obrigado. Por ter lido o texto e, principalmente, por ter gostado e expressado isso em forma de comentário.

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