sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Garota inocente




"Cá estou eu aqui novamente em meu escritório em pleno sábado de manhã. Não tem nada mais chato do que esse programa patético. Qual é, ninguém respeita mais meus direitos trabalhistas? Poderia muito bem estar, nesse momento, andando por aí, a procura de uma gatinha... Transar com ela mais tarde... Mas não, estou aqui. Maldita ideia do meu patrão em aceitar uma visita dos estudante s do curso técnico em administração no departamento. Se não por isso, eu provavelmente não estava aqui hoje. 'Rafael, autorizei uma visita aqui no departamento amanhã. Queria que você estivesse aqui para recebe-los. Tem algum problema?', me disse ontem o meu querido chefe. Se vai ter algum problema? MAIS É CLARO, SEU IDIOTA. PASSEI A SEMANA TODA ANALISANDO SEUS PAPÉIS. MINHA PERSPECTIVA ERA NÃO PISAR AQUI HOJE, CARECA AMALDIÇOADO", pensou Rafael.
Depois de alguns minutos, a turma do curso técnico em administração finalmente chegou. Rafael inicialmente não deu muita bola à turma. Como você, leitor, deve ter percebido antes, o rapaz não estava tão empolgado em trabalhar no departamento naquele dia. Por isso, quando os jovens, orientados pelo professor, se aproximaram do administrador, este apenas disse:
- Bom dia, pessoal- disse Rafael, em tom nada animado.
- Bom dia- respondeu o grupo, sem dar a mínima para a desmotivada recepção.
- Bem, estou aqui hoje para fazer uma pequena excursão com todos vocês, aqui no departamento de administração da prefeitura.
O professor interrompeu a apresentação do rapaz:
- Desculpe, é... ah meu Deus, como é seu nome mesmo?
A turma começou a rir.
- Meu nome é Rafael- disse o jovem, disfarçando seu estresse. "Seu idiota", pensou.
O professor continuou.
- Ah sim, Rafael, desculpe. Eu sou o professor da turma e me disseram que você também daria uma palestra, é verdade?
- É verdade sim- disse Rafael. "Eu ia falar isso, se você não tivesse me interrompido, mané", pensou o administrador.
Depois de alguns minutos falando sobre o curso de administração, do departamento e da prefeitura, Rafael não sabia mais o que dizer e não queria fazer o que o chefe tinha lhe pedido. Então, antes de começar a excursão teve uma ideia. Iria pedir à cada aluno para que se apresentasse a ele. "Assim gastarei mais tempo, e essa turma dos diabos vai embora mais cedo. Assim como eu, que quer dar uma relaxadinha com alguma amiga de transa".
- Vamos lá, pessoal! Quero conhecer cada um de vocês. Se apresentem a mim, por favor. Ah! e aproveitem para dizer o porquê de ter escolhido o curso de administração- disse Rafael. "Tomara que eles levem um tempão fazendo isso", pensou.
E a apresentação começou. Cada um chegou para a frente e disse aquilo que Rafael tinha pedido. O administrador não dava muita bola para o que falavam. Não achava nenhum deles interessante. Depois da sexta apresentação, por fim, algo lhe chamou a atenção. A Patrícia, uma garota morena, mas não negra, olhos azuis e com belas pernas e bustos. Era o tipo de garota que o jovem administrador gostava de beijar ou transar. "Hum... olha aí as coisas melhorando. Até que essa visita não vai ser tão ruim assim, vai?", pensou.
Rafael não tirava os olhos dela. Ninguém percebia isso. Quer dizer, os alunos percebiam sim, mas consideravam apenas que aquele jovem estava fazendo seu papel de observador da apresentação. Quando Patrícia terminou de discursar, o administrador perguntou:
- Você gosta do curso, Patrícia?
- Gosto sim.
- O que ele tem de bom?
- Tem muitas coisas. Portas abertas no mercado de trabalho é uma delas.
- Sei, exatamente. Muito interessante... Você está se especializando em mais alguma coisa? O administrador tem que ser um profissional bastante atualizado no ramo em que ele trabalha, assim como todos os demais profissionais.
- Sim. Faço curso de informática. Também estou procurando um estágio para me tornar mais profissional.
- Um estágio? Que legal, é sempre bem vindo. Aqui no departamento estamos a procura de um estagiário ou estagiária para nos ajudar com a organização dos arquivos. Infelizmente, não há vagas para todos. Apenas uma está disponível e, já que a Patrícia foi a primeira a perguntar, não acho nada mais justo do que fornecer a vaga para ela. Estou correto, professor?
- Sim, mais é claro que sim. Patrícia é bastante disciplinada. É a melhor aluna desse grupo. Tudo que você pedir ela faz.
"Hum... faz mesmo?", pensou Rafael.
Quando a visita finalmente chegou ao fim, Rafael chamou Patrícia para conversar sobre o estágio. A garota aceitou o convite e foi com ele, depois de pedir permissão ao professor que, antes de entrar no ônibus que levaria a turma para a instituição de ensino, autorizou.
- Pode ir, Patrícia. Sei que você mora aqui perto.- disse o professor
- Exatamente, tchau!- respondeu a garota.
Chegando os dois no escritório de Rafael, este não perdeu tempo e já foi perguntando:
- Tem namorado, Patrícia?
- Não gatinho. Não tenho namorado, eu gosto da pegação. Sei muito bem o porque que você me ofereceu este estágio. Não sou burra. Muito pelo contrário...
Estranhando a modo como Patrícia disse aquilo, Rafael perguntou:
- E porque eu ofereci o estágio?
- O motivo é bem simples. Durante a apresentação dos meus colegas, notei que você não dava a mínima para o que eles diziam. Parecia até que não queria estar trabalhando hoje. Quando chegou a minha vez, notei que você ficou atraído por mim. Tenho certeza que você me ofereceu este estágio só para se aproveitar de mim. Está louco para me pegar, não é?
Rafael ficou um pouco sem jeito.
- Hã..é... porque você aceitou o estágio, então?
- Porque não sou burra. Te acho um gatinho. Parece ser bem gostoso... Estou louca por um emprego, sim, porém, estou afim de um trabalho que não seja entediante. Vamos lá?
- "Vamos lá" o quê?
- Anda! Me pega, me beija. Faz comigo aquilo que você deseja fazer.
- UAU! Estou chocado!
- Porquê? Achou que eu fosse santa?
- Exatamente.
- Não sou santa porcaria nenhuma. Te acho um gatão, playboy. Vamos, tira logo essa roupa antes que alguém chegue!
E Rafael obedeceu. Estava literalmente atônito. Tinha planejado dominar aquela garota inocente mas, no fim das contas, acabou sendo dominado por ela.

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